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Sexta-feira, 03/07/2009

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Interrompemos nossa programação

Quem faz o blog
02/10/2008 às 22:09

Chegamos à última edição desta coluna. Findo o horário eleitoral, è finita minha participação e também a de Tia Miloca, que depois do pleito seguirá diretamente para Mumbay, onde fará um curso avançado de tantrismo. Eu permaneço na city apenas para conferir o eventual bafão pós-eleitoral. Ontem, iniciamos uma lista de conclusões curtas sobre a campanha eleitoral de 2008. Ao todo, são quinze. Restam sete - vamos a elas:

. Nas ruas, não tivemos grandes novidades em termos de ferramentas de campanha: saíram os “bonecões de Olinda” (em Curitiba, contei apenas um) e entraram em cena os “banners-riquixás”, as “bicicletas de som” e as efígies dos candidatos a prefeito.

. As bicicletas, aliás, não entraram “de graça” na campanha - ao lado do metrô-maravilha, foram colocadas como solução para os congestionamentos. No meio do caminho, inclusive, um grupo apartidário de ciclistas pelados deu seu recado, chamando ainda mais atenção para o tema.

. Outra presença marcante da campanha nas ruas (por falta de outras opções) foi a dos “bandeirantes”, que agitaram pavilhões dos candidatos a prefeito recebendo, para tanto, uma diária média de R$ 35,00.

. O pouco tempo disponível na tevê fez com que muitos pleiteantes à vereança apelassem - prática antiga - para o escracho: apelidos engraçados, frases de efeito e fantasias que, em um primeiro momento, produziram boas risadas (e, em um segundo momento, a vontade jogar um tijolo na tevê).

. Constatação: assistir programa eleitoral de tevê com a família foi muito mais bacana do que ver sozinho. Com mais pessoas na sala, há uma tendência maior ao riso, à crítica e ao deboche - e isso contamina.

. Preferência pessoal: entre os programas de rádio e tevê, achei os primeiros muito mais legais - pela agilidade -, principalmente no caso dos candidatos a prefeito. Nos de vereador, o rádio apenas decalcou a tevê.

. Os candidatos à prefeitura de Curitiba não tiveram o menor pudor em usar crianças na propaganda eleitoral. Algo que, para mim, merece nota zero.

Bom, pessoal, é isso. Grande abraço a todos!

02/10/2008 às 09:36

Estamos chegando ao fim de campanha. É momento, portanto, de fazer uma última leitura dos acontecimentos. Não pretendo recorrer a um aparato teórico sofisticado, mas ficar nas pequenas constatações, pílulas. De repente, você lê, curte e tira suas próprias conclusões. Vamos lá:

. Começando pelo fim. O programa de encerramento dos candidatos a prefeito na tevê seguiu a mais conhecida das fórmulas: um misto de triunfalismo, algum chororô, demonstrações de civilidade, esperança e de uma sensação de “agora, vai!”. Em suma – fomos mais ao ronco do que às lágrimas.

. Agitação, entusiasmo e novidades não foram propriamente a tônica da campanha. Talvez estejamos vivendo aquele estranho momento de decantação da democracia em que as velhas paixões dão lugar à atitude blasé de “pagar para ver”.

. A legislação eleitoral mais restritiva em relação às formas de divulgação e aos gastos de campanha certamente contribuiu para esse “desencantamento do mundo”.

. A lei eleitoral também teve efeitos sobre a internet, secando um pouco a criatividade das equipes dos sites oficiais de campanha e estimulando (como já havíamos percebido em 2006) uma “Web 2.0” agressiva e engraçada.

. A campanha curitibana, aliás, foi responsável pelo principal hit do Youtube nesta eleição: a insólita performance do candidato a prefeito Lauro Rodrigues no debate da Band, vista mais de 300 mil vezes. Se o dito cujo ganhasse um voto para cada visualização, seria um concorrente a temer.

. A pré-figuração de um quadro fechado na eleição para prefeito já no primeiro turno, reiterada pela divulgação de várias pesquisas de intenção de voto, também contribuiu para o esfriamento geral dos ânimos.

. Pesquisas de intenção de voto que, aliás, por excessivas em número parecem ter cansado um pouco o eleitor.

. Em relação à propaganda eleitoral na tevê, ficou claro o fracasso do modelo adotado para a divulgação dos candidatos a vereador (frase de efeito + nome + número). Quando muito, o eleitor conheceu os candidatos em quem não votará jamais - o que, pensando bem, já é alguma coisa!

Daqui a pouco traremos mais algumas conclusões. Em tempo: já é hora de procurar o título eleitoral desaparecido nas gavetas da sua burocracia pessoal.

01/10/2008 às 09:45

Os caras estão em crise, mas não perdem a capacidade de criar "gags". Confira uma das peças da campanha presidencial:

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30/09/2008 às 18:47

As efígies – aquelas fotos recortadas, em tamanho natural, dos candidatos -, são, como observamos anteriormente, a novidade da eleição. Pois não é que, para conferir um toque ainda mais extravagante à peça, os correligionários de Beto Richa estão apelando para sua colocação em lugares inusitados? Talvez seja uma sofisticada estratégia de conquista de votos por meio do “trompe l´oeil” – de repente, estou “viajando” e a coisa se resume, mesmo, à velha técnica de saturação visual.

Fato é que, nos últimos dias, flagrei “Betos Richas” sorridentes empoleirados nos telhados de uma casa e de um costelão 24 horas. Também encontrei a dita figura me olhando de soslaio “escondida” atrás de uma cerca e, ainda, pregada em um palanque a mais de um metro do chão, o que produzia uma estranha impressão “levitativa”. Há quem diga que, diante das pesquisas de intenção de voto, essa flutuação nem é, assim, tão inusitada. Só não vi a peça pregada de cabeça para baixo. O que seria caso de inversão carnavalesca – e de provável chamamento à ordem pelo comitê de campanha.

30/09/2008 às 18:46

Ainda em relação ao assunto, não posso deixar de citar uma cena observada em Santa Felicidade: o cabo eleitoral de um pleiteante à Câmara Municipal conversando animadamente e sambando – literalmente – com a efígie de seu candidato. Em um primeiro momento, pensei que fosse o próprio candidato plantado ali, em um democrático momento de descontração pré-eleitoral. Evoluia com elegância, miudinho, só no sapatinho. Foi só quando a figura caiu “de cara” no chão, após uma tentativa frustrada de rodopio, é que percebi a bidimensionalidade da situação – e o insuspeito talento do cabo eleitoral. Com tamanha habilidade, aliás, poderia perfeitamente substituir o próprio candidato no horário eleitoral.

30/09/2008 às 18:45

Mudando de mídia, vale contar um episódio “político-auricular” ocorrido na semana passada. Conversava com uma pessoa ao telefone quando, de repente, ela falou: “Espera um pouquinho, que eu não tô te ouvindo...” – pausa de vinte segundos – “... pode falar agora, que o Professor Galdino já passou”.

29/09/2008 às 16:13

Jingles “mântrico-numéricos” como os dos candidatos Professor Galdino (PV) e Odisnei do Pick-Nick (PMDB) têm a virtude de, mesmo sendo considerados irritantes por muita gente, “grudar na orelha” do eleitorado. O princípio é de convencimento pela repetição: você caminha pela rua e, de repente, é alcançado pelo jingle emitido pelo sistema de som de um carro ou bicicleta. Nome e número repetido dez, vinte vezes - se o cabo eleitoral resolver parar na vizinhança para tomar um ki-suco, é caso de considerar a hipótese de “possessão sonora”. O veículo segue em frente e o mantra fica, martelando o número do candidato até o vivente ser contagiado por outra coisa - de repente, outro jingle ou o cantochão do “carro do sonho”. No fundo, talvez a tentativa seja, mesmo, de ganhar a adesão pela via hipnótica. A aposta, um tanto arriscada, reside na crença de que a sugestão vá se manter até o momento do voto.

29/09/2008 às 11:30

Dentre os “equipamentos de campanha” sacados pelos candidatos esteve uma inusitada fantasia de abelha, usada por um cabo eleitoral do candidato Elias Vidal (PP) em uma panfletagem em Santa Felicidade. Na XV, o cabo eleitoral de um candidato a vereador foi visto - literalmente - puxando uma casa pelo calçadão. Em escala reduzida, mas, ainda assim, uma casa. “Ganhou o prêmio de maior traquitana da campanha”, disse Tia Miloca.

29/09/2008 às 11:22

O fim de semana foi, de fato, verdadeiramente digno de uma campanha política. Tivemos crossover de passeatas na XV, cabos eleitorais agitando nas principais ruas de vários bairros, pessoas fantasiadas, bandeiras “aparando os cornos” do eleitorado e muito material impresso depositado nos pára-brisas dos carros. Até mesmo alguns candidatos cuja seara eleitoral fica longe da Boca Maldita resolveram dar as caras por lá, para estranhamento dos habitués. Se a campanha tivesse sido assim desde o começo – e certamente não foi, entre outros motivos, pelo rigor dominicano da lei somado a uma espécie de marasmo estabelecido muito cedo pela crença mais ou menos geral de que o pleito já estava definido -, teríamos vivido, de fato, mais daquela “embriaguez democrática” que é tão bacana e necessária. E que rende notas engraçadas em blogs como este.


http://threeminds.organic.com/images/threeminds_legacy/uncategorized/bigbattel.jpg

http://threeminds.organic.com/images/threeminds_legacy/uncategorized/bigbattel.jpg / "Enquanto isso, na Boca Maldita..."

28/09/2008 às 10:23


RWA sobre imagem da web

RWA sobre imagem da web /
A semana que se inicia é estratégica para os candidatos a vereador. A pesquisa que revelou a indecisão curitibana sobre o voto para a Câmara Municipal certamente agitou os comitês, que devem partir para o abraço com muito mais amor, carinho, jornais e santinhos. Em outras palavras: quem curte papel machê terá matéria-prima de sobra muito em breve.

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