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Sábado, 04/07/2009

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Central de Cinema

Quem faz o blog
03/07/2009 às 16:45


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Divulgação / Elsa Zylberstein e Kristin Scott Thomas: relação delicada.Elsa Zylberstein e Kristin Scott Thomas: relação delicada.

Uma mulher madura (Kristin Scott Thomas, de O Paciente Inglês), na faixa dos 40 anos, deixa a prisão depois de 15 anos de pena e retorna a Nancy, cidade universitária no norte da França aonde vai se hospedar na casa de uma irmã caçula, Léa (Elsa Zylberstein, de A Pequena Jerusalém), agora casada e mãe de dois filhos adotivos. Esse é o ponto de partida do tocante drama Há Tanto Tempo Que Te Amo, em cartaz a partir de hoje em Curitiba.

Seco e austero, o filme não deve agradar aos fãs de melodramas lacrimogênios. A produção é francesa e o sofrimento, mais do que emprestar o tom à narrativa, é o seu tema, o assunto discutido pelo enredo, que nele vai fundo. O trunfo da história é não revelar por que a protagonista, Juliette, foi parar na cadeia, qual foi seu crime. E não é aqui neste texto que o leitor vai descobrir.

Como já é esperado de uma situação dessas, o processo de readaptação da personagem é tenso, tendo como foco central a relação entre as duas irmãs. Tanto Kristin – indicada ao Bafta, César, Globo de Ouro e vencedora do prêmio do European Film Award por sua atuação – quanto Elsa (César de melhor atriz coadjuvante) são excelentes atrizes. Portanto, o conflito decola. Há muito a ser resolvido entre as duas, mas o tempo e a distância lhes roubaram a naturalidade para lidar com questões pessoais, íntimas.

A direção do estreante Philippe Claudel é sutil e anuncia o surgimento de um talento promissor, tanto que venceu o César de melhor primeiro longa-metragem. O cineasta adota um tom comedido e não abusa em momento algum das cores emotivas que poderiam tornar seu filme mais palatável. Prefere fazer uma “obra de observação”, na qual revela sem pressa como as personagens centrais, irmãs de sangue e com um passado comum, lidam com o desafio de reatar laços rompidos e talvez irresgatáveis.

Kristin Scott Thomas, uma boa atriz porém mais lembrada por sua elegância do que por suas atuações, está notável no filme, um divisor de águas em sua carreira que a livrou, finalmente, da imagem de mulher sofisticada.

27/06/2009 às 11:16


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Divulgação / Cartaz do filme Captain Eo, de Francis Ford Coppola.Cartaz do filme Captain Eo, de Francis Ford Coppola.

Michael Jackson amava musicais. Fã de Fred Astaire e Gene Kelly, ele sonhava reinar em Hollywood, como astro de cinema. Cantando e dançando. Sua primeira tentativa mais significativa foi em O Mágico Inesquecível (1978), de Sidney Lumet, versão negra do clássico O Mágico de Oz (1939), dirigido por Victor Fleming. O filme, cultuado até hoje pela comunidade afro-americana, não fez sucesso de bilheteria, mas o aproximou do homem que mudaria sua vida: o compositor e produtor Quincy Jones, com quem criaria os álbuns Off the Wall (1979), Thriller (1983) e Bad (1987), maiores êxitos de sua carreira.

Em O Mágico Inesquecível, Jackson tem momentos, encantadores. Vive o espantalho, personagem inseguro, que deseja mais do que tudo um cérebro. A identificação foi imediata – por mais que lhe dissessem que era um artista telentoso, genial até, ele não acreditava. Duvidava de suas capacidades. Jones, no entanto, sabia que tinha um diamante bruto nas mãos. Só faltava lapidá-lo.

Juntos, Jackson e Jones, além de grandes discos, mudaram a história da cultura popular, consolidando o videoclipe com um veículo essencial à música produzida em larga escala, sem o qual quase nenhuma canção passou a ter chances de emplacar nas paradas. E as performances do cantor jamais deixaram a desejar.

Thriller rendeu um punhado de clipes que definiram o formato. A começar pela superprodução criada para a faixa-título do álbum. O filme, dirigido por John Landis (diretor de O Lobisomem Americano em Londres) e participação do ator Vincent Price, chegou a ser exibido nos cinemas. Igualmente espetaculares são os vídeos de “Billie Jean” e “Beat It”.

No auge do sucesso de Thriller, que permaneceu durante anos nas paradas, Jackson foi convidado por Francis Ford Coppola (de O Poderoso Chefão) para estrelar Captain Eo (1986) (assista clipe do filme nesta página), filme em 3D no qual viveu o papel-título, o oficial de uma nave especial encarregado de levar um presente dos terráqueos a uma rainha extraterrestre (Anjelica Huston). Definido como uma space opera, foi exibido até 1994 no Epcot Center (Disneyworld, no estado da Flórida) e 1997, na Disneylância (Califórnia). Quem produziu foi George Lucas (de Star Wars).

Jackson protagonizaria ainda, em 1987, Moonwalker, longa-metragem resultante da reunião de curtas, todos musicais inspirados pelas faixas do álbum Bad, o primeiro depois do estrondo de Thriller. Desse disco, saiu o espetacular clipe de 18 minutos da faixa-título, que marcou o retorno de Jackson em grande estilo.

Sob a direção do cineasta Martin Scorsese (Taxi Driver), Jackson aparece como um rapaz do bem chamado Daryl, que acaba de se formar numa escola particular cara e prestigiada. Quando volta à cidade natal (Nova Iorque), tem de enfrentar a desonfiança e o preconceito dos amigos; Acham que ele virou um almofadinha.

Para provar que ainda é bad (durão), ele leva a gangue a uma estação de metrô (a Hoyt Schermerhorn Station, no Brooklyn), palco de uma genial coreografia, filmada com vigor pelo diretor nova-iorquino.


25/06/2009 às 16:16


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Na première do filme Inimigos Públicos (já comentado aqui), em Los Angeles,Johnny Depp confirmou que irá estrelar a versão para o cinema do seriado cult dos anos 60 Dark Shadows, espécie de soap opera gótica. O filme terá direção de Tim Burton, que acaba de rodar Alice no País das Maravilhas, no qual Depp vive o Chapeleiro Louco (veja foto ao lado).

Rumores sobre o projeto de adaptação de Dark Shadows circulam desde que Depp, fã assumido do programa, comprou os direitos da série.

A parceria entre Depp e Burton já rendeu vários frutos. Qual o seu filme favorito feito pelos dois?

25/06/2009 às 09:09


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Divulgação / Estatueta dourada da Academia agora será disputada por 10 filmes na categoria principal.Estatueta dourada da Academia agora será disputada por 10 filmes na categoria principal.
A Academia de Artes e Ciências cinematográfica anunciou ontem: a categoria de melhor filme agora será disputada por 10 filmes, e não mais cinco. A medida, já considerada histórica, permitirá que longas independentes, estrangeiros e animações tenham mais chances de concorrer à estatueta principal. A boa notícia é que o dobro de filmes poderão desfrutar do valioso marketing em torno do prêmio e ostentar em suas campanhas de lançamento no mundo todo o pedigree "Indicado ao Oscar de melhor filme".

Sabe-se que Cidade de Deus, que emplacou indicações a melhor diretor (Fernando Meirelles), roteiro adaptado, edição e fotografia, ficou a um passo de ser incluído na categoria principal. Agora talvez a história fosse diferente.

24/06/2009 às 11:06


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Divulgação / David Fincher concorreu ao Oscar 2009 por O Curioso Caso de Bejamin Button.David Fincher concorreu ao Oscar 2009 por O Curioso Caso de Bejamin Button.

O cineasta norte-americano David Fincher, cujo último filme, O Curioso Caso de Benjamin Button acaba de ser lançado no Brasil em DVD, está cotado para dirigir The Social Network. A produção vai contar a história da criação do Facebook, "o Orkut dos norte-americanos", que começa a ganhar espaço entre brasileiros. A rede já tem 200 milhões de usuários ao redor do mundo.

O roteiro tem a assinatura de Aaron Sorkin,que também vai adaptar para o cinema o musical Follies,considerado uma das obras-primas do compositor Stephen Sondheim, autor de Sweeney Todd.

O longa vai reconstituir a trajetória do Facebook, desde sua criação no campus da universidade de Harvard, pelo estudante de graduação Mark Zuckerberg. As filmagens devem começar no fim do segundo semestre.

23/06/2009 às 10:55


 / Cher retorna ao cinema no musical Burlesque, depois de dez anos afastada das telas.Cher retorna ao cinema no musical Burlesque, depois de dez anos afastada das telas.

Depois de dez anos longe das telas, Cher, vencedora do Oscar de melhor atriz por Feitiço da Lua (1987) está voltando ao cinema. E num musical. Trata-se de Burlesque, produção que trará a popstar Christina Aguilera no papel principal.

Quem vai dirigir o longa é Steven Antin, que tem no currículo o simpatico It's My Party e o seriado Nova Iorque Contra o Crime.

Christina fará o papel de uma jovem do interior de Iowa que se muda para Los Angeles com aspirações artísticas. Apesar de sonhar com uma carreira de cantora, acaba indo parar num clube de strip-tease comandado por Tess, personagem de Cher (é claro), que também cantará na produção, marcando sua primeira participação em um musical de cinema.

A filmagem começa em novembro.

19/06/2009 às 11:58


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Divulgação / Clive Owen, na espetacular cena rodada no Museu Guggenheim, em Nova Iorque.Clive Owen, na espetacular cena rodada no Museu Guggenheim, em Nova Iorque.

Até James Bond teve de ser repaginado. Desde a estreia de Identidade Bourne (2002), primeiro filme da fabulosa trilogia baseada nos best sellers de Roberto Ludlum (1927-2001), o cinema de espionagem e ação nunca mais foi o mesmo.

Os protagonistas sedutores, fortões e nada vulneráveis de outrora foram substituídos por heróis falíveis, atormentados e muitas vezes à deriva. Esse é o novo paradigma estabelecido por Jason Bourne, vivido por Matt Damon nos três longas-metragens da série que, em breve, ganhará um novo epísódio. O personagem serviu de molde para o atual 007, interpretado por Daniel Craig, e certamente é a principal referência de Louis Salinger, papel do inglês Clive Owen (também em cartaz com Duplicidade) no thriller Trama Internacional, que estreia neste fim de semana nos cinemas brasileiros.

Ex-agente da Scotland Yard, da qual foi demitido por ter metido os pés pelas mãos em um caso que investigava, Salinger agora trabalha para a Interpol. Ao lado da promotora norte-americana Eleanor Whitman (Naomi Watts, de 21 Gramas), ele investiga o envolvimento de uma grande instituição financeira internacional com sede em Luxemburgo, numa transação envolvendo a venda ilegal de armamentos fabricados na China a países do Oriente Médio e da África.

O investigador parece nunca dormir, comer ou se barbear, tamanha sua obsessão pelo caso, pivô de sua saída da Scotland Yard. Vive só num apartamento modesto na cidade francesa de Lyon, sede da Interpol na Europa. Sua mesa de trabalho e as paredes de seu escritório são forradas de documentos, relatórios, fotos e papéis de toda ordem. Uns sobre os outros em estado de caos. Como sua cabeça. Ele está à beira de um colapso. Assim como Bourne, desmemoriado e sempre afogado em angústia. Ou o Bond de 007 - Quantum of Solace, amargurado, vingativo e incapaz de controlar seus ímpetos violentos.

O que decepciona em Trama Internacional é sua história. Embora interessante e, até certo ponto, factível, resulta um tanto derivativa se comparada aos longas da Trilogia Bourne, com os quais tem muito em comum. Mais do que deveria. A começar pelo fato que toma como cenário um mundo absolutamente globalizado - há sequências em Berlim, Lyon, Milão, Luxemburgo e Istambul.

Apesar de ter a assinatura de um cineasta inventivo como o alemão Tom Tykwer (Corra Lola, Corra), o filme tropeça em algumas falhas de ritmo, na edição quase convencional (se comparada ao que se vê nos trabalhos anteriores do diretor germânico) e personagens pouco complexos, à exceção de Salinger. Mas, para salvar a pátria, pelo menos uma grande sequência de ação na trama - e ela vale o preço do ingresso: nos corredores espiralados do Museu Guggenheim, um dos templos da arte moderna em Nova Iorque, mocinhos e bandidos travam uma espetacular e eletrizante batalha campal, de tirar o fôlego.

18/06/2009 às 11:15

Promessa é dívida. A Central de Cinema traz nesta semana duas sugestões bacanas de caixas de DVDs que estão nas lojas e lojas e locadoras.


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Star Trek Movie Collection
Caixa com sete discos (seis com os longa-metragens da série e um com extras). Paramount. Classificação indicativa: livre. Preço médio: R$ 119.


Trekkies de plantão, regozijai-vos. Enquanto o novo filme da franquia, ainda em cartaz em Curitiba, é o maior sucesso de bilheteria do verão norte-americano, com US$ 240 milhões acumulados até agora, chega ao mercado nacional esta irresistível coleção. O pacote inclui seis discos com os primeiros longas-metragens Star Trek para o cinema, gerados pela cultuada série televisiva (que chamava-se Jornada nas Estrelas no Brasil). Todos os títulos foram digitalmente remasterizados em alta definição -- vale lembrar que a versão no sistema blu-ray, já disponível nos EUA, será lançada por aqui em julho. A caixa da Paramount também inclui um disco extra intitulado Star Trek: Encontro dos Capitães, que apresenta uma exclusiva mesa-redonda de 70 minutos liderada por Whoopi Goldberg, na qual os "comandantes" William Shatner, Leonard Nimoy, Patrick Stewart e Jonathan Frakes compartilham detalhes íntimos sobre a vida no set. Para fã nenhum colocar defeito.


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True Blood
Primeira temporada completa. Caixa com cinco discos. Classificação indicativa: 18 anos. Preço médio: R$ 119.

Quando os seriados Família Soprano e A Sete Palmos saíram do ar, a HBO ficou numa sinuca. Precisava tirar da manga uma série que tivesse ousadia, uma das marcas registradadas do canal pago norte-americano, mas apelo suficiente para conquistar o grande público. Os espectadores mais intelectualizados já haviam sido presenteados com a psicanalítica e instigante In Treatment e faltava um produto de vocação pop. Foi daí que Alan Ball, roteirista vencedor do Oscar por Beleza Americana, teve a ideia de adaptar para a tevê a série de livros sobre vampiros de Charlaine Harris.
Sucesso de audiência e já objeto de culto ao redor do mundo, True Blood estreou sua segunda temporada semana passada nos EUA. Enquanto isso, a caixa com os episódios da primeira chega às locadoras e lojas brasileiras neste mês.
A ação se passa numa cidadezinha do estado sulista da Louisianna em tempos nos quais os vampiros saíram do armário e ganharam o status de minoria, como gays, lésbicas, negros e hispânicos. A personagem central é a garçonete paranormal Sookie Stackhouse (Anna Paquin), que se apaixona por Bill (Stephen Moyer), um sanguessuga cuja vida mortal data da Guerra Civil Americana. Engraçada, criativa, erótica e cheia de mistérios e suspense, True Blood é um achado. Vale a pena conferir.

15/06/2009 às 16:43


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Divulgação / O fascínio de A Partida está no equilíbrio entre comédia e melodrama que propõe ao espectador.O fascínio de A Partida está no equilíbrio entre comédia e melodrama que propõe ao espectador.

Há filmes que desafiam classificações. A Partida, produção japonesa que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano, é uma delas. Em cartaz em Curitiba desde a última sexta-feira, o longa-metragem de Yôjirô Takita talvez tenha derrubado concorrentes pesos pesados como o israelense Valsa para Bashir e o francês Entre os Muros da Escola porque, ao contrário desses títulos, que têm seus alicerces na vida real e narrativas quase documentais, A Partida não aposta (apenas) no intelecto do espectador, mas sobretudo em suas emoções. E numa variedade delas.

O fascínio de A Partida, que pode irritar espectadores mais céticos e cerebrais, é a desenvoltura com que a trama flutua entre universos ficcionais distintos (e por vezes opostos) entre si como a comédia e o melodrama. A chave para o entendimento dessa dualidade é a complexidade emocional do protagonista e a jornada por ele percorrida ao longo do filme.

Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki) é um sujeito enigmático e algo patético. Violoncelista mediano, ele fica desempregado quando a orquestra na qual toca é dissolvida por falta de recursos financeiros e de público. Sem fonte de renda, ele decide voltar, em companhia da mulher (a adorável Ryoko Hirosue ), para a cidadezinha onde sua mãe, morta há algum tempo, lhe deixou uma casa. No imóvel, funcionou no passado um café, criado pelo pai, que abandonou a família quando Daigo era ainda menino.

Como não há a remota possibilidade de trabalhar com música numa região tão isolada, Daigo sai em busca de emprego e não demora a encontrar trabalho. Ainda que seja num ramo profissional um tanto particular. Ele é contratado para ser o auxiliar de um preparador de defuntos (o veterano Tsutomu Yamazaki) para o enterro, seguindo regras estabelecidas dentro de uma tradição milenar do Japão. No passado, cabiam às famílias dos mortos lavar, vestir e maquiar os corpos. Agora há quem faça isso por dinheiro.

A Partida, já que toma a morte como assunto central, poderia resultar num programa mórbido. Mas não é. Embora o espectador menos avisado possa se chocar com algumas cenas, que envolvem desde a limpeza e o preparo de um cadáver em decomposição até surpresas encontradas por Daigo e seu chefe durante seus rituais de trabalho, o filme não tem um tom depressivo. Pelo contrário.

Há na trama momentos hilariantes, especialmente nas sequências de aprendizado de Daigo. A falta de jeito, o desconforto e a insegurança do personagem diante de tarefas tão específica e, digamos, exóticas aos olhares ocidentais, fazem desse treinamento uma fonte de situações bizarras que são tratadas com humor e até uma certa leveza pelo diretor.
O filme não apenas fala sobre a morte, mas também a utiliza como alegoria para falar sobre o duro processo de autoconhecimento vivenciado por Daigo.

Para se tornar um homem, amadurecer, ele precisa vivenciar várias mortes, algumas reais e outras metafóricas, quase todas dolorosas em menor ou maior intensidade. Resulta numa experiência cinematográfica intensa.

12/06/2009 às 10:41


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Divulgação / O ótimo Russell Crowe vive um um repórter experiente que enfrenta um dilema ético.O ótimo Russell Crowe vive um um repórter experiente que enfrenta um dilema ético.

Quando o escândalo Watergate veio à tona, os jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward, do The Washington Post, viraram super-heróis da mídia. Reeditaram o mito bíblico do pequeno Davi que derruba o gigante Golias, levando o presidente republicano Richard Nixon a renunciar o cargo, em 1974.

O caso gerou o longa-metragem Todos os Homens do Presidente (1976) e desencadeou um “surto” de filmes sobre a imprensa, como o clássico Rede de Intrigas (1976), de Sidney Lumet, e Ausência de Malícia (1981), de Sidney Pollack.

Produções sobre os bastidores da notícia, contudo, há muito deixaram de ser um filão rentável para o cinema e para a televisão. Talvez porque histórias como a do repórter Jayson Blair, do The New York Times, que plagiou e inventou centenas de reportagens nas fuças dos editores do mais importante jornal do mundo, deixem a opinião pública meio ressabiada quanto aos padrões éticos praticados no meio.

O fato é que um filme como Intrigas de Estado, embora não seja uma obra-prima, é muito bem-vindo – e pertinente. Ainda mais num momento em que os jornais impressos ao redor do mundo, sobretudo nos Estados Unidos, parecem enfrentar uma crise sem precedentes, com o desaparecimento de diários importantes, como o Seattle Post-Intelligencer, cuja versão impressa deixou de circular e hoje só pode ser lido na internet. O thriller político de Kevin McDonald (de O Último Rei da Escócia) é uma espécie de libelo em louvor ao jornalismo impresso.

Baseado na minissérie britânica State of Play (2003), produzida pela BBC, Intrigas de Estado tem como grande mérito mostrar as engrenagens de um jornal em crise, o fictício The Washington Globe. O veículo, com circulação em queda, acaba de ser vendido para um grande grupo e sua diretora de redação (Helen Mirren, de A Rainha) cobra aumento nas vendas, resultados. É nesse momento nevrálgico que duas notícias, uma aparentemente desimportante e outra bombástica, vêm à tona: um ladrão (e talvez traficante) e um ciclista são assassinados à queima-roupa e a assessora do jovem e promissor deputado Stephen Collins (Ben Affleck) morre nos trilhos de uma estação de metrô da capital federal, num aparente caso de suicídio.

Mais interressado em cobrir e desvendar os misteriosos assassinatos, o repórter investigativo Cal McAffrey (Russell Crowe, ótimo como sempre) é atropelado pela outra ocorrência: Stephen Collins é um de seus melhores amigos de juventude e a suposta suicida era amante do deputado.

Apesar de ter reviravoltas um tanto rocambolescas (e até inverossímeis), a trama de Intrigas de Estado retrata com fidelidade as entranhas do processo de produção da notícia – e num momento histórico particularmente intrigante.

O repórter à moda antiga McAffrey, dividido entre cumprir seu papel e ajudar seu amigo, entra em confronto com a novata e ambiciosa Dela Frye (Rachel McAdams), que mantém na versão on-line do The Washington Globe um popular blog político.

De um lado do ringue, a experiência do profissional que acredita na apuração, no cruzamento de fontes e, sobretudo, no cheiro da tinta no papel.

Do outro, o poder da instantaneidade, da interatividade, das notícias que se fazem (e desfazem) em tempo real na tela do computador. Quem ganha é o espectador.


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