Quinta-feira, 20/11/2008
Carlos Barria / Reuters
Usain Bolt: 100 e 200 metros rasos com os recordes pulverizados e um físico não tão favorável a eleNo futebol masculino, o que realmente fez diferença para a Argentina foi a preparação. Comparando com a do Brasil as diferenças são patentes.
Primeiro, a Argentina já tinha definido treinador, pré-lista de 30 convocados, jogadores com mais de 23 anos quase certos, amistosos sendo jogados. No mesmo momento, não se sabia se Dunga iria ou não sero otreinador nos Jogos.
Enquanto o Brasil jogava com potências como Cingapura e Vietnã, a Argentina testou seu time contra a Seleção da Catalunha, que é uma das principais regiões reveladoras de talentos do país campeão europeu e referêrncia de categorias de base, a Espanha.
E além disso tudo, a AFA dá um banho de organização na CBF nas categorias de base. Todas são integradas. Todos os times jogam taticamente parecidos com o time principal, ao ponto deste time ter como base o do Mundial Junior de 2005.
Estranhas no ninho
Vendo o pódio do futebol feminino (EUA-BRA-ALE), chego à conclusão de que as brasileiras são estranhas no ninho e que a prata pode ser considerada um milagre.
Primeiro, o Brasil não tem liga profissional, pouquíssimos times são profissionais e o "Campeonato Brasileiro" é uma copa que dura 3 meses por ano. Os estaduais são amadores e o mais organizado é o Paulista, que tem televisionamento (o paranaense até teve).
A Alemanha tem uma liga profissional. Aliás, como no masculino, a quantidade de times é impressionante. Nos Estados Unidos, a Liga Profissional faliu, mas como você pode ver acessando o site da FIFA, as universidades acolheram as jogadoras, revelando uma já conhecida faceta dos esportes na Terra do Tio Sam: o poderio do esporte universitário.
Deste modo, duas vias para o futebol feminino são apontadas: fortalecimento dos clubes (mais condizente com nosso perfil esportivo, mais próximo do europeu) ou o fortalecimento universitário (sai mais em conta e auxilia no pós-carreira das atletas, sendo que é utilizado no futebol pela Ulbra do Rio Grande do Sul e de Rondônia, que também investe em outros esportes, assim como a Unisul de Santa Catarina e a Unimep de São Paulo).
Assim como está, os bons resultados do futebol feminino são decorrentes de um grupo de jogadoras obstinadas e guerreiras, até porque a CBF não está nem aí para elas.
O Fenômeno Bolt
Usain Bolt não tem jeito de corredor de 100 e 200 metros típico. Ele realmente não é típico. Ele tem 1,93m de altura, o que o deixa cerca de 10 centímetros mais alto que seus concorrentes. Por outro lado, ele não é tão musculoso quanto seus oponentes.
A altura atrapalha principalmente na prova dos 200 metros, pois aumenta o atrito dele com o ar numa largada em curva. Mesmo assim ele quebrou a marca de Michael Johnson, que durava 12 anos. Os poucos músculos com relação aos oponentes, tira um pouco da arrancada dele, mas por outro lado, não o deixa pesado demais, o que aumentaria muito o lastro que ele teria que carregar. Ele compensa com passadas mais largas.
O físico dele seria bom para o salto em distância, se não fosse o fato de não ser o arranque o forte dele. Nos 100 metros rasos, ele pulverizou a marca dele e ainda diminuiu o ritmo dele. Onde será que ele chegará, pois ainda é jovem?
O Fenômeno Maurren
Pegando o gancho do Bolt, Maurren Maggi teve mais dificuldades que as adversárias no salto em distância por conta de seu físico. A brasileira tem alguns centímetros a menos de altura que elas, o que significa uma passada menor e uma impulsão menor. Logo, ela compensa na técnica para garantir bons resultados (pelo que me lembro, ela também corria corrida de pistas com barreiras antigamente).
A diferença ficou patenta no pódio. A russa que ganhou a prata e a nigeriana do bronze estavam quase na altura dela, com o diferencial dela estar um degrau acima. Imagina a hora que surgir uma atleta que tenha a altura das adversárias e a técnica dela. O recorde mundial viraria pó.
E o Troféu Padre Irlandês vai para...
Fabiana Murer e o sumiço da vara. Se em Atenas, a organização falhou ao não escoltar Vanderlei Cordeiro de Lima na maratona e permitir o ataque do padre irlandês Cornelius Horan (que quase foi atropelado pelo Cristiano da Matta no GP da Alemanha de 1999, a primeira vitória do Rubinho na F-1), o Troféu Padre Irlandês de Pequim vai para a saltadora brasileira.
O Troféu foi criado por mim, neste momento, para relembrar a coisa improvável que aconteceu e prejudicou o desempenho de um atleta brasileiro em Jogos Olímpicos. E novamente a organização falhou, desta ver ao conseguir extraviar uma das varas de Fabiana, que teria chances de brigar por uma medalha. Se isso acontecesse no Brasil, todos estariam caindo de pau em cima da organização, mas como foi na China, trataram de abafar. E o pior foi a cara de pau da organização botando a culpa nela, como se ela tivesse separado a vara, posto num carrinho e colocado junto com as varas das eliminadas. Se for assim, eu me chamo Edson Arantes do Nascimento e fiz mais de 1.200 gols jogando nas décadas de 50, 60 e 70, entende?
PETER PARKS/AFP
Aurelien Chedjou é meio-campista do Lille da França; maior parte dos jogadores da seleção olímpica de Camarões atua no futebol europeuO jogo quartas-de-final do futebol masculino dos Jogos Olímpicos de Pequim, que será realizado às 7h de sábado, promete reavivar as mais tenebrosas lembranças do futebol brasileiro. Foi contra o mesmo adversário e na mesma fase que o Brasil, com Ronaldinho Gaúcho em campo, foi derrotado no Golden Goal nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000. Será que a Seleção Olímpica exorcizará os fantasmas do passado ou novamente ficará pelo caminho pelos pés dos Leões Indomáveis?
É isso que o Blog do Corujão quer saber. Para você, o Brasil consegue superar Camarões e chegar às semifinais contra o vencedor de Argentina e Holanda ou sucumbirá, adiando o sonho do ouro para Londres-2012? Explique-nos os motivos de sua convicção clicando e comentando na nossa caixa de comentários.
PEDRO UGARTE/AFP
O argentino David Nalbandian é um dos tenistas bem rankeados nos Jogos Olímpicos; Ele já despachou da competição o atual campeão, Nicolas Massu do ChileDepois de Los Angeles 1984 começou uma abertura e o empurrãozinho que faltava para o Tênis Olímpico virar uma grande atração foi dado a pouco tempo, tanto que a novidade implantada está em sua segunda edição.
A novidade que estou falando é a seguinte: para valorizar o Torneio Olímpico, que não tem premiações em dinheiro, a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) e seu equivalente feminino, a WTA, resolveram oficializar a disputa.
Simplesmente, a entidade passou a dar aos competidores olímpicos o mesmo número de pontos dados num Torneio Grand Slam (Australia Open, US Open, Roland Garros e Winbledon). Na prática, funciona de dois jeitos:
1- Quem está bem no ranking se esforça para participar e não perder posições, pois uma ausência em Grand Slam faz grande estrago no ranking.
2- Quem não tem tantos pontos se esforça para se classificar e, dependendo do desempenho (fazendo figa para se dar bem no sorteio), galgar posições na tábua do Ranking de Entradas.
Assim, a medida recheou o torneio de estrelas como Nadal, Federer e Djokovic no masculino, e Jukovic e as irmãs Williams no feminino. Quem está fora é por contusão, como as musas Sharapova e Ivanovic.
Para quem gosta de tênis, as madrugadas da raquete estão recheadas de grandes duelos. Match point para as entidades do tênis!
REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Elnur Mammadli, do Azerbaijão, não se contentou em apenas vencer o sul-coreano Wang Kichun na final do judô categoria até 73kg. Também "cavalgou" no seu adversário, em uma cena típica do hipismo. Foi nessa categoria que Leandro Guilheiro conquistou o seu segundo ouro olímpico.
Que prova espetacular. A melhor exibição esportiva/artística dos Jogos Olímpicos de Pequim. Sim, artística mesmo. O que o revezamento 4 x 100 metros da natação dos Estados Unidos fez na madrugada desta segunda-feira foi pura arte do esporte.
Aliás, não só americanos fizeram bonito. Franceses, australianos, italianos e suécos deram um verdadeiro show no Cubo D'água. Todos eles terminaram a prova com o tempo abaixo do até então recorde mundial 3min12seg24. Se o resultado fosse comparado com o de Atenas, todos ficariam com a medalha de ouro.
Michael Phelps, Garrett Weber-Gale, Cullen Jones e Jason Lezak destruíram o recorde atual e cravaram um tempo 3seg99 abaixo da marca anterior. Isso significa que olhando para a tela da televisão, Lezak - que fechou o revezamento - estava com quase quatro corpos de vantagem sobre a linha que simulava o tempo do recorde mundial até então. Tudo isso, vale mencionar, após uma impressionante recuperação de Lezak, que "voou" atrás do adversário francês e conseguiu a vitória na última braçada.
Phelps ganhou o seu segundo ouro e os Estados Unidos o terceiro, mas os espectadores ganharam a chance de ver uma atuação histórica dos nadadores norte-americanos.
Qualquer Olimpíada é cheia de histórias de reviravoltas. Atletas que passam vergonhas homéricas em edições anteriores e, quatro anos depois, se recuperam de forma triunfal.
Pequim já começa a ter as suas. E o sul-coreano Taehwan Park é um dos protagonistas.
MARTIN BUREAU/AFP
Aos 18 anos, Taehwan Park conquistou o primeiro ouro sul-coreano na história da natação, numa história de como uma Olimpíada pode mudar tudoPark queimou a largada, foi desclassificado. Envergonhado, passou duas horas trancado no banheiro e alguns meses evitando a imprensa do seu país.
Um vexame que só foi completamente apagado ontem à noite. Em uma raia que contava com seu ídolo Grant Hackett, Park venceu os 400 m livre. Deu à Coréia do Sul o primeiro ouro na natação e colocou o país em segundo no quadro geral de medalhas.
Dois dias de Olimpíada, e nada de medalha para o Brasil. Até certo ponto, normal.
A única esperança de medalha do Brasil era João Derly. Até fui dormir cedo (para os padrões olímpicos), uma hora da manhã, crente de que acordaria às 7h30 para vê-lo brigar por medalha. Quebrei a cara. E o Derly, mais ainda.
No resto, 20º lugar histórico do ciclismo, quarta-de-final do remo comemorada como ouro, recorde sul-americano na natação... É o verdadeiro Brasil olímpico. Em evolução, com um futuro promissor, mas ainda incipiente. Essa é a realidade, não aquela ilusão vendida no Pan.
DAVID GRAY/REUTERS
Pira Olímpica acesa ao lado de uma explosão de fogosInforma o nosso enviado especial a Pequim Carlos Eduardo Vicelli: Luciano Pagliarini vai correr no ciclismo de estrada.
Ele não conseguiu expelir a pedra no rim que o incomoda há uma semana, mas adotou uma outra solução. Fez um corte no banco da bicicleta, para que o selim não fique em atrito com a região lesionada, entre o ânus e o saco escrotal.
Pagliarini tomou essa decisão após exames constatarem que a origem da dor ao sentar no banco era microlesões na região, não a pedra.
AFP
Seleção brasileira venceu graças a um gol de Hernanes, aos 33 minutos do segundo tempo
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