Quarta-feira, 15/10/2008
O MEC divulgou recentemente que faltam milhares de professores no Brasil , mas as autoridades constituidas já encontraram uma solução " mágica" : os cursos à distância. Eu, sinceramente, fiquei apreensiva com a novidade - e você?
Será que os cursos à distância preencherão as lacunas profissionais indicadas pelo MEC? Seguro morreu de velho ; é prudente ir devagar com medidas revolucionárias, porque muitas miram apenas os números e esquecem a qualidade, requisito imprescindível a qualquer produto, inclusive o educacional.
Daniel Derevecki/Gazeta do Povo
Escola Paranaguá: trabalho preventivo para melhorar a convivência e aproximar as famílias do ambiente escolarA prática profissional faz emergir, meu querido leitor , uma reflexão unânime com relação à política de valorização ao trabalhador do ensino - e exige certamente um quarteto poderoso de ações:
> Formação qualificada - você já pensou no resultado da mistura da competência teórica com a prática docente?
> Clareza das necessidades e obrigações do profissional do ensino
> Garantia das boas condições de trabalho e remuneração - quem é que não deseja encontrar ambiente seguro na escola, suprimentos materiais e incentivo à carreira docente?
> Prestígio da comunidade escolar- e aqui entram a direção da escola, pais e comunidade em torno das instituições escolares.
Se faltar um item dos listados acima o trabalho escolar sofre descontinuidade , em decorrência de um planejamento educacional dissociado da realidade. Com a palavra, portanto, os meus colegas de trabalho, os pais dos alunos e todos que acompanham com seriedade a imprescindível função do PROFESSOR na atividade educativa.
Valterci Santos/Gazeta do Povo
Professor Eduardo Pijak Júnior e crianças que têm aulas de tênis: prática do esporte ajudou a ampliar horizontes de estudantes e também melhorou o desempenho escolarO calendário aponta que 15 de outubro é o Dia do Professor , festejemos a lembrança , mas as comemorações não podem ficar atreladas unicamente em experiências sentimentais, desprovidas do senso necessário à realidade dos docentes brasileiros: mal formados, remunerados com injustiça , exercendo o magistério em condições materiais nem sempre adequadas e correndo de um lado para outro a fim de juntar o necessário à sua sobrevivência.
Com novo piso, municípios devem precisar de mais professores. Veja os númerosQuando o trabalho com o ensino se revestir de condições atraentes minha aluna Liliane, a única nos últimos três anos a optar pela licenciatura em Letras, deixará de encabeçar a lista dos que buscaram cursos menos procurados.
É conveniente pensar em QUEM QUER SER PROFESSOR e COMO DEVE SER A FORMAÇÃO DE UM PROFESSOR ; atentar aos dois lados é examinar com prudência o assunto. Requer indiscutivelmente uma reavalição da grade curricular dos cursos de formação de professores e das licenciaturas, além, é claro, de maior consciência das necessidades atuais das crianças e jovens dentro e fora das escolas. Muitos dos que estão com o giz na mão não sabem fazer inferências conceituais sobre a própria atividade, portanto , para mediar com segurança e autonomia a educação dos nossos pequenos e jovens brasileiros é preciso selecionar com maior rigor os candidatos à carreira e investir seriamente na qualificação profissional dos que pretendem exercer ou estão no exercício da atividade docente.
Sugestões de escrita
1- Você considera atraente a carreira de um professor? Argumente em 8 linhas.
2- Sintetize o infográfico Mais professores nas cidades ( GP); limite-se a 6 linhas.
3- Experimente perguntar a três profissionais que trabalham 40 horas por semana quanto eles ganham por hora trabalhada; inclua na lista um professor do ensino médio( exceto cursinho pré-vestibular), um engenheiro e um administrador de empresas, todos detentores de um diploma de graduação. Anote as informações e elabore uma sintese desses dados; limite-se a 8 linhas.
Até a próxima!
Não sou especialista em crianças; já lhes orientei a leitura e a escrita em inúmeras oficinas e eduquei minha única filha, hoje com 13 anos –, infelizmente, alçada precocemente ao mundo adolescente, mas recordo com saudade do meu tempo de criança e o leitor trintão , quarentão ou cinquentão certamente lembrará da sua infância com boas recordações.
Meu amigo Sérgio Bastos reúne alguns desenhos voltados à criança, aprecie-os; eles ajudarão a evocar as brincadeiras de antes.
Sérgio Bastos- www.belemetemdisso.com.br
Jardinetes e praças sem balanços, gangorras e espaços para brincar são inadimissíveisNão sei se o meu prezado leitor sente o mesmo, mas eu quase não vejo mais as nossas crianças brincando. Será que estão entre as paredes das suas casas abrigadas do frio curitibano? Nos limites dos condomínios fechados? Nas praças de alimentação dos shoppings? Enturmadas nas lan houses – ou, quem sabe impedidas de brincar de verdade?
Ser criança é um estado de espírito; adultos vez por outra fazem papel de pirralhos, talvez porque gostemos de manter uma travessurazinha para não esquecer o gostinho de fazer criancices; eu, por exemplo, adoro balas de gelatina, chocolate, pipoca, sorvete e brigadeiro. Se deixar uma caixa de BIS do meu lado eu nem sinto que estou comendo um atrás do outro – e você, amigo leitor? Faz uma criancice de caso pensado? É claro que não, dentro de cada um de nós há uma criança com certeza.
Sérgio Bastos - www.belemetemdisso.com.br
Nossas crianças de hoje brincam com bolinha de gude? Há um dia dedicado ao pequenos, mas já pensou poder brincar e ser lembrada apenas durante um diazinho? Você conhece o escritor Fernando Bonassi? Ele escreveu Declaração do moleque invocado (Cosac & Naify), um livro bem divertido que todas as crianças gostarão de ler com certeza absoluta. Ele diz que: Toda criança tem direito de dormir de luz acesa, tomar banho de banheira, comer assistindo televisão, bater figurinha na mesinha da sala. Conversar com bicho de pelúcia, fazer cocô de porta aberta e sair correndo e gritando que nem doida sem ter de ficar explicando por que, oras!
Você conhece a crônica A Bola, do Luiz Fernando Veríssimo? Ela está em Comédias para se ler na escola (Objetiva). Pois ele conta que um pai deu uma bola de presente para o filho lembrando do prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola. O garoto agradeceu o presente e disse “Legal!” e depois ficou girando a bola à procura de alguma coisa e perguntou ao pai como se ligava a bola? Na versão do Veríssimo, o pobre pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros.
Nossas crianças de hoje adoram, por mais incrível que pareça, brincar com joguinhos eletrônicos, desses que simulam situações agressivas ou que constroem imagens de todo tipo e dimensão. As brincadeiras são, mediadas pelo computador, principalmente na casa das crianças que aprenderam a não ver diversão nos parques, nas praças, nas pedaladas e outras formas de brincadeiras. São outros tempos? A brincadeira mudou? Será que nós esquecemos de ensinar às crianças como é que se brinca - ou a vida está tão difícil, triste e desengonçada que não encontramos mais tempo para oportunizar o tempo de brincar dos nossos meninos e meninas?
Eu brinquei com panelinhas, com bonecas (de pano e improvisadas), de roda, de 31 Alerta, de amarelinha e de tantas brincadeiras de criança e considero um crime impedir, por isto ou aquilo, que uma criança não aproveite o seu tempo para simplesmente brincar e se divertir.
Sugestão de escrita
O verbo brincar é transitivo e exige complementos informativos, lembra-se? Pois bem, descreva a brincadeira que marcou com saudade a sua infância. Você brincava de quê e com quem? Limite-se a 8 linhas ou aos 500 caracteres da caixinha de comentários.
Um excelente final de semana a todos !- e se você tiver crianças em casa, que tal levá-las para brincar lá no Jardim Ambiental ou nos espaços abertos da cidade? O frio não deve ser um impedimento; gorros, bonés, meias e roupa adequada garantem a proteção necessária.
Blogueiro é uma espécie de cronista dos novos tempos – e estamos espalhados por vários espaços virtuais, a dita blogosfera. Blogueiro escreve, veicula idéias, faz modinhas, estreita sentidos, articula as diferentes formas de comunicação escrita, o que vem certamente em direção ao nosso alvo, não é mesmo?
Arquivo pessoal / Curso de Redação / 2007
As modificações ortográficas exigem paciente assimilação através de exercícios escritosUm dos assuntos que mais têm aparecido nos blogs colunas e matérias jornalisticas diz respeito à incorporação das alterações ortográficas, sancionadas pelo presidente Lula, no dia 30 de setembro passado.
O quadro infografado ( GP, 26 /9/ 2008 )não apresenta novidades com relação aos que já avistamos nos jornais e nas revistas, mas convém atentar às modificações , pois elas abriram um flanco entre os que desgostam ou são indiferentes às mudanças no modo de escrever determinadas palavras na língua portuguesa - e o jornalista Fernando Martins, em seu texto Sentirei saudades dos meus tremas declarou que o seu artigo tinha" prazo de validade" quanto à forma, pois as mudanças afetariam a nossa escrita . Concordo com ele, sem dúvida; convém , entretanto , manter a calma, pois o tempo de objetar sobre o assunto já passou.
Confira as principais mudançasPara facilitar a assimilação das novidades ditadas pelas alterações preparei um exercício e indico algumas sugestões; quem sabe facilitem a vida de quem ainda está confuso? A língua portuguesa tem ao longo da sua história sofrido diversas alterações; algumas bestiais, outras nem tanto. A convenção é a palavra de ordem quando o assunto é ortografia; reclamar faz parte. Muitos que agoooora já estavam se acostumando às normas da escrita terão que realizar novo ajuste. Coisa sem muita dor, pode acreditar; nossos avós e bisavós já passaram pela situação - e ainda nos acostumaremos com muitas alterações lingüísticas.
Lembre-se meu querido leitor: o domínio ortográfico exige invariavelmente o treino da escrita. Se tiver tempo, não hesite em fazer também o exercício sugerido abaixo, além de indicá-lo aos que ainda temem as alterações. Aprendi com os confiáveis mestres da língua portuguesa que as alterações lingüísticas não podem ser observadas sem a comparação de textos de tempos distintos, portanto , acalmemos todos; logo o que parece novo, aborrecido e trabalhoso fará parte da nossa história lingüística. As regras novas vieram para ficar até que outras mudanças ocorram; paciência!
As novíssimas regras começarão a valer no dia 1º de janeiro de 2009, mas ainda contaremos com um período de transição de quatro anos; segundo o decreto presidencial até 31 de dezembro de 2012, as duas formas de escrita serão aceitas como corretas nas provas escolares, nos vestibulares e nas situações de escrita em geral. Tranqüilo, meu leitor? No primeiro dia de 2013 oficialmente a grafia de tranqüilo será ortograficamente histórica.
Exercício para treinar as alterações ortográficas e ficar bem tinindo.
Reescreva as palavras destacadas apenas quando, de acordo com as novas regras ortográficas, solicitarem alterações de grafia:
(..........) O Professor Galdino teve uma excelente idéia e foi eleito com 11.736 votos!
(..........) Sem paranóia ou estresse as modificações ortográficas, aos poucos, serão assimiladas pelos brasileiros.
(..........) A virose incluiu enjôo constante e um quadro febril intermitente.
(..........) Costumo cobrar cinqüenta reais por aula.
(..........) Beto Richa estava feliz e tranqüilo nas fotos veiculadas pela mídia eletrônica.
(...........) Muitos candidatos deixaram de usar pára-quedas emocionais e sofreram com a derrota .
(...........) Não há qualquer dúvida de que o argüi na hora certa, disse o jornalista.
(...........) A feiúra da desonestidade de muitos contrasta com a beleza da ética de poucos.
(...........) Falei para o panfleteiro: Pára de sujar a rua, carinha!
(...........) É claro que o Afonso Pena está liberado para vôos.
(...........) Eleitores sérios descrêem em promessas dos políticos profissionais.
(...........) Não dêem privilégios aos que desmatam a Amazônia, por favor!
(............) A razão do sucesso dos meus alunos? Eles lêem muitos excertos dos jornais e revistas.
(............) Algumas pessoas são como a jibóia : sabem dar o bote na hora certa.
(............) O escritor Cristovão Tezza pôde escrever espetacularmente sobre Curitiba; ele conhece muito bem a alma da cidade.
Sugestões aos meus colegas professores, especialmente do ensino fundamental:
1- Compreender , reproduzir e distribuir o quadro com as alterações ortográficas aos alunos para que colem na capa dos cadernos de língua portuguesa.
2- Organizar um glossário bem simplificado contendo a explicitação das seguintes palavras e expressões: acentuação gráfica, acento agudo, oxítona, paroxitona, ditongo, hiato, palavras homógrafas, acento diferencial, formas rizotônicas, trema, hífen , modos de composição das palavras.
2- Oferecer lista de frases com palavras que sofreram alterações ortográficas. São válidas as reproduções de excertos antigos, datados antes das reformas ortográficas de 1931, 1943 e 1971.
3- Exercitar a cópia de excertos comparativos( grafia atual/ grafia modificada ) como atividade de tarefa de casa.
4- Acompanhar crianças e jovens no manuseio de itens produzidos com ortografia anterior ( cartas, revistas, gramáticas, dicionários, bulas de remédios, reportagens, livros didáticos, provas e redações escolares, etc) e confrontar com a forma atual da escrita.
Até a próxima!
Saí para cumprir a minha obrigação eleitoral após o almoço de domingo, mas antes dei uma volta pela cidade e há quase unanimidade no sentimento das demais pessoas com quem conversei ligeiramente: indignação por três grandes motivos. Você quer saber quais? A obrigatoriedade do voto, a boca-de-urna e com a sujeira que se vê pela cidade.
Quanto à obrigatoriedade e boca-de-urna muito já foi comentado, mas com relação ao volume de sujeira – Meu Deus! - É de perder a confiança em quem prometeu desautorizar os cabos-eleitorais a fazê-la. As ruas que ficam nas imediações das zonas eleitorais estão de dar dó. Até quando vamos ver santinhos jogados no chão? A abordagem do eleitor também aconteceu. Passei perto do Instituto de Educação do Paraná, logo após o almoço - e já fui formando uma idéia triste de como estava o restante da cidade.
Benett

A rua onde resido é geralmente limpa, mas hoje, especialmente em frente ao Colégio Positivo Júnior, a visão ainda é de matar; a vontade de apostar em quem prometeu e já começa não cumprindo arrefece a minha e a confiança de muitos, você concorda? Vou ficar de “olho” e quero ver se as equipes de limpeza da prefeitura farão o serviço esperado - ou se teremos que esperar a manhã de segunda para ver a rua limpa.
A rua onde você mora, meu prezado leitor, está limpinha ou parece um mar de papel? Descreva como estava a frente do local onde você votou, assim vamos compondo um cenário geral de evidências, de desrespeito urbano. Amanhã vou puxar conversa com o Seu Cidinho, o varredor que pacientemente recolhe o lixo que se avoluma nas ruas que compreendem o complexo urbano da Praça da Ucrânia até o finalzinho da nossa , a Rua Marcelino Champagnat. Até mesmo em frente do velho e quase abandonado prédio da Tuiuti, antigo posto eleitoral aqui nas Mercês, centenas, talvez milhares de" santinhos" foram deliberadamente jogados, em atitude de desespero, de assédio lastimável ao eleitor.
A reprodução da charge do cartunista Benett está de encomenda aos jovens estudantes, assim como aos leitores que oferecem a generosidade da sua leitura a este blog. Você concorda com a opinião do personagem? Pois mesmo discordando, não hesite em compartilhar o seu comentário; cinco linhas e linguagem objetiva garantem o seu recado.
Boa notícia: são 18h55m e ainda há pouco fui até ao jardim e com satisfação vi uma equipe de varredores deixando a rua do jeito como gostamos: limpa! Ótimo serviço, pelo menos aqui nas Mercês - e ai no seu bairro?
Até a próxima!
Dos inúmeros alunos participantes das minhas oficinas de leitura e escrita, denominadas de Encontros Marcados com a Redação, a maioria realmente mira a carreira médica – o que vai de encontro ao resultado apresentado pelas inscrições ao vestibular da Ufpr. Sugiro ao querido leitor o exame do texto Vagas noturnas não atraem novos vestibulandos na UFPR, de Marcela Campos (GP, Vida e Cidadania, 3 / 10 / 2008, p. 4), na edição impressa, para visualizar melhor o assunto, mas o infográfico disponível já indicia a preferência dos estudantes pelas carreiras de maior prestígio social. Examine-o atentamente.
Os jovens estudantes que têm me procurado estão divididos entre as áreas prioritariamente ligadas à saúde e às engenharias - e minha dedicada aluna Liliane é uma exceção: quer ser professora e de língua portuguesa! - e representa inegavelmente uma das faixas profissionais de menor procura: as licenciaturas!
Os dez cursos mais e os dez menos concorridos entre as 88 opções da UFPR
O resultado das inscrições ao vestibular da federal paranaense aponta uma projeção sobre a situação das licenciaturas. Estudar e ensinar a Matemática, as Línguas e a Física é anseio menor entre os candidatos; penso que daqui a pouco tempo os profissionais formados nessas áreas serão muito raros. Será que vai faltar professor de Matemática? Ensinar Italiano ou Polonês ou ainda orientar aos estudantes sobre Física constituirá uma ótima opção?
Será que o mercado profissional ligado à docência estará saturado daqui a algum tempo? Ou será que a baixa procura pelos cursos revela a calamitosa situação do ensino no Brasil? Sem os legítimos mediadores do ensino básico em sala de aula eu, que reúno grupos pequenos para orientar , farei parte de um reduzido time de profissionais, assim como os meus colegas das equações trigonométricas e das noções elementares sobre átomos, prótons e elétrons?
Octávio Rossi/Gazeta do Povo
O professor Ademir conseguiu uma proeza: fazer os alunos gostarem de MatemáticaFaço um convite aos estudantes que optaram pelas careiras em alta , assim como aos leitores médicos, publicitários e jornalistas na ativa: explicar aos jovens leitores vestibulandos as vantagens e desvantagens da profissão. Comentário breve, mas incisivo e assentado na realidade dos fatos.
Aos que escolheram o jornalismo há um depoimento interessante a ser analisado; confira o blog da Gazetinha. O jornalista Luiz Cláudio Oliveira, meu colega do SOBRETUDO abre a conversa sobre a escolha profissional que fez.
Sugestão de escrita
Rodolfo Büher / Gazeta do Povo
Curso de Física na UFPR : poucos alunos pretendem fazer carreira no magistérioA partir das informações constantes no infográfico e aliadas às suas inferências justifique o porquê das carreiras em alta , além da baixa preferência pelas áreas ligadas ao ensino fundamental e médio; limite-se a 10 linhas e dê um título ao seu texto.
Até a próxima!
Diante da leitura eficiente a assimilação dos dados autorais do que se examina é item obrigatório; idêntica atitude espera-se de quem escreve, edita imagens ou quaisquer contribuições advindas pelo trabalho do intelecto alheio. Tenho - ao longo das dezenas de anos com a mediação da leitura e da escrita - insistido junto às crianças, jovens e adultos sobre a necessidade de mencionar a autoria dos apoios informativos nos trabalhos de escrita , tais como na redação de resumos, na elaboração das monografias, na composição das dissertações e, inclusive, nas teses acadêmicas.
Imagem cedida por João Raphael M. Júnior
O escritor autografa publicamente e diz ao mundo: eu escrevi o que você lerá; respeite-o!A razão do quase obsessivo cuidado com a questão da menção autoral está na própria experiência: por duas vezes fui lesada no direito de detenção da autoria de determinados trabalhos - e quem já foi alvo de roubo autoral entra para o time dos enfurecidos, dos que brigam até mesmo na justiça para que o direito de ser o autor seja respeitado.
Quer saber da primeira experiência? Fiz em 2002, sob encomenda, uma atualização ortográfica de uma enciclopédia jurídica para uma editora sediada em Campinas (SP). Banquei a lesa, ingênua e pela inexperiência nesse tipo de atividade não assinei um contrato de prestação de serviço – e foi com muita tristeza que vi o texto atualizado de Edmond Picard, um jurista belga , ganhar a autoria de um advogado campineiro, que emprestou o nome e fez parceria com a canalhice engendrada pela editora, especializada em reedições. O livro está ai nas prateleiras das estantes jurídicas, graças ao meu trabalho de atualização ortográfica, no entanto, exceto as pessoas próximas de mim, quase ninguém sabe dessa triste história. Deixei de ganhar o crédito autoral e ainda os percentuais supostamente auferidos a cada edição da enciclopédia jurídica. Para todos os efeitos alguém levou o crédito, inclusive financeiro, da tradução e atualização ortográfica que fiz com apaixonada pesquisa filológica.
A segunda lamentável experiência é mais recente: um site turístico sobre o meu estado natal, simplesmente copiou páginas inteirinhas do que escrevi para livro regional O Pará e suas Trilhas Históricas "; felizmente tenho a retaguarda da Base Editora e logo o responsável pelo “roubo” será – eu espero confiante! – punido. Para quem faz das palavras a fonte da sua sobrevivência é muito desolador constatar a desonestidade das pessoas; indicar a autoria de qualquer trabalho é uma obrigação infelizmente negligenciada. Ontem quando vi o glossário de expressões paraenses, entre outras informações copiadas integralmente no site espertinho, juro, queria esganar o responsável pelo roubo não apenas do meu trabalho, mas também de editores, iconografistas, revisores, etc.
Com a disseminação dos textos via internet o direito autoral ganha terreno , demanda estudos e muitos, muitos e muitos processos na justiça. Inúmeros blogs descaradamente até apontam que tal imagem ou texto foi “ roubado “ de fulano, mas apenas oferecem uma vaga indicação - e outros simplesmente editam sem qualquer referência autoral. Ainda no começo do ano vi nos textos selecionados por um cursinho pré-vestibular daqui de Curitiba a transcrição literal de uma das minhas postagens sobre a leitura e escrita - e a única menção ao meu trabalho era, ao final, o nome desta professora, mas a seleção feita por um colega professor de redação não indicava de onde ele retirou a página examinada pelos alunos. Quem age assim é capaz de roubar a própria mãe e dá péssimo exemplo aos jovens alunos.
Meus colegas professores pecam geralmente pela omissão com relação à questão autoral; muitos mal acostumados a essa prática vilã na época da faculdade, nem se dão conta de que assim agindo perpetuam a desonestidade com relação ao direito dos autores.
Quantas imagens fotográficas, quantas idéias, quantos cálculos, quantas letras de música, quantos trabalhos intelectuais são utilizados sem que seus autores recebam por eles o pagamento justo pelas horas de trabalho e dedicação ? A minha formação acadêmica não inclui o direito autoral – e para tal mister há uma especialidade felizmente atuante na sociedade, no entanto, qualquer ser humano honesto sabe que não é lícito roubar bens alheios, mas a prática do roubo parecer ser um ato de insignificânca para muitas pessoas.
Meus alunos invariavelmente são orientados à menção autoral nos resumos, nas citações e nas edições de imagens que realizam nos seus trabalhos. Devo ser provavelmente uma remanescente dos dinossauros, porque para eles esse cuidado quase obsessivo não parece ser uma prática conhecida na escola de onde são egressos ou ainda estudam. Cabe aos que trabalham com a palavra – e dela tiram o seu sustento - , maior adesão à prática da menção vital à autoria. Devemos oferecer, portanto, o primeiro exemplo, sempre. Reportagens, textos em sites, blogs, notas de apoio às aulas e toda e qualquer produção intectual deve garantir aos que contribuiram com esta ou aquela informação a indicação autoral. Basta mencionar a origem do texto: quem escreveu, onde foi publicado e quando foi editado.
Sugestões de escrita
1- Examine o excerto Móvel legítimo ou pirata? de Fabiane Ziolla Menezes ( GP, 13 / 7 /2008) e faça um síntese objetiva; limite-se a 10 linhas - e se puder leia a reportagem na íntegra.
" Assim como ocorre com uma Ferrari ou uma bolsa Louis Vuitton, as peças para decoração feitas por um designer ou arquiteto famoso sempre foram sonhos de consumo mundiais. Nessa busca pelo objeto de desejo, no entanto, muitos consumidores não sabem diferenciar o produto legítimo (importado ou produzido no Brasil com licença do autor) da cópia pirata. Isso ocorre porque algumas peças de design são consideradas produtos industriais e outras, obras de arte. Para cada classificação, existe um tempo para que a peça seja considerada de domínio público, ou seja, deixe de ser exclusivamente do autor e possa ser copiada livremente.
No caso daquelas que são produtos industriais (feitas para fabricação em série), o registro de desenho industrial, feito no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), tem duração máxima de 25 anos e é válido somente no Brasil. Se uma peça estrangeira, que não possui registro aqui, for copiada, o ato não se configura como crime.
Para as obras de arte o que vale é a Lei do Direito Autoral n° 9610/98 que diz que a peça só passa a ser de domínio público após 70 anos da morte do autor. Ao contrário do que ocorre com a propriedade industrial, o direito autoral de um estrangeiro é reconhecido no Brasil, com ou sem registro da mesma em um órgão competente de seu país de origem
...............................
Para o consumidor cuidadoso e que deseja ter uma peça legítima em casa resta fazer a lição de casa, conhecer a história do autor, de sua peça e buscar quais fábricas e lojas estão autorizadas a produzir e vender os produtos."
2- Redija um texto argumentativo apresentando justificativas de combate à prática da omissão autoral, tema da postagem de hoje. Não exceda as doze linhas e dê um título à sua redação.
3- Suponha ter produzido uma imagem fotográfica e de repente descubra que ela corre pela internet afora, mas nenhuma menção a sua autoria é feita. Elabore um slogan com ênfase apelativa à indicação da menção autoral; limite-se a duas linhas.
4- Examine três sites e três blogs e observe se há menção autoral aos itens decorrentes da intertextualidade( geradas por links, por exemplo) ou se preferir três reportagens de diferentes veiculos de comunicação impressa ; redija um comentário relatando o resultado das suas observações; não exceda as dez linhas.
Até a próxima ! - e ainda bem que posso denunciar práticas abusivas ligadas ao tema , graças à Gazeta do Povo online.
Fazer resumos é sintetizar informações – e todos nós somos frequentemente solicitados a fazer compactos das idéias, das situações, dos fatos, das tendências disto e daquilo. É conveniente estar sempre bem preparado, porque a vida com as suas múltiplas exigências pede invariavelmente leitura rápida e objetiva de tudo e quem demora a compreender pequenas, médias ou longas informações corre o risco de perder a parada, ou seja, deixar de expressar suas idéias ou ainda objetivar informações necessárias ao momento. Eu também com muita freqüência sou interpelada na rua, ao telefone, pela internet e pelos queridos alunos com o intuito de sintetizar, por exemplo, determinadas informações sobre o meu campo de trabalho profissional.
Antônio Costa / Gazeta do Povo
Interesse da população deve definir o futuro das cidadesNo ano passado, no vestibular de inverno da UTFPR uma das propostas de redação aos candidatos incluía a adaptação de uma reportagem da Veja, de 10 /8 / 2005, de Diogo Schelp, cujo título era A ajuda atrapalha. A questão solicitava: “A seguir encontram-se trechos da entrevista de James Shikwati concedida à revista Veja. Sintetize essas informações num texto de 06 a 08 linhas”. Percebeu? Sem ler com atenção, retirar as informações essenciais de um texto, no caso, uma entrevista, o vestibulando não teria como atender à proposta de sintetizar os elementos informativos. Quem quer fazer bonito na redação e ganhar a parada deve exercitar a leitura, entre outros textos, das entrevistas.
Meu aluno Bruno Linch , de 19 anos, candidato a uma das vagas em Medicina, na Ufpr, leu a proposta e escreveu como um exercício o seguinte:
A ajuda a países africanos é uma prática cada vez mais comum, pois a miséria é tão grande, que a chegada de apoio se torna indispensável, porém políticos africanos como James Shikwati em entrevista concedida à Veja( 10/9/05) revela a sua discordância dessa colaboração , pois ele acredita que atrapalha o desenvolvimento desses países, causando uma dependência dos recursos enviados. Declara que deixar a África lidar com os próprios problemas fará com que se torne um país competitivo.
Antônio Costa/ Gazeta do Povo
A sensação de que a cidade ou parte dela nos pertence acontece devido aos nossos hábitos cotidianos
Quer três exemplos muito interessantes para treinar a leitura e a síntese das idéias? Pegue a edição impressa da Gazeta do Povo de hoje e:
> Analise o texto Reforma moral( Opinião, p.2); limite-se a 6 linhas.
> Leia e sintetize ” O lugar que nos pertence”, de Cristiano Castilho, que reúne a entrevista com a professora Olga Firkowski, da Ufpr - e traz fotos belíssimas do Antonio Costa. Está na edição impressa do jornal, no Caderno G, página 2; limite-se a 10 linhas.
> Examine as imagens fotográficas presentes na postagem e faça uma síntese do que vê em cada um dos exemplos; limite-se a 5 linhas.
Antônio Costa / Gazeta do Povo
“As pessoas modificam a cidade continuamente.”
Depois de examinar meticulosamente as idéias constantes nos textos sugeridos siga o esquema :
Resumo = IF (indicação da fonte autoral) + IT (indicação do tema)+ DIPS( destaque à idéia principal e secundárias)
O esquema dos elementos acima poderá ser alterado; quer experimentar? Que tal permutar a ordem?
Resumo= IT (indicação do tema)+ DIPS( destaque à ideia principal e secundárias) + IF(indicação da fonte autoral)
Muitas vezes para exercitar a retenção das informações costumo indicar aos meus alunos o seguinte:
> examinar fotos, especialmente as da Primeira Página dos jornais e das revistas;
> dedicar atenção especial às charges políticas ou que expressem críticas aos costumes, além, é claro, um movimento vigoroso de análise aos textos de quem foi notícia nos meses que antecedem ao calendário das provas dos vestibulares mais concorridos.
É muito, eu sei, mas quem desejar ficar “na boa” durante a prova de Compreensão e Produção de Textos, da federal paranaense - ou de qualquer vestibular mais concorrido - deverá ler com apetite informativo tudo que a mídia impressa disponibiliza, caso contrário qualquer texto será uma surpresa. Já pensou encontrar uma amostra, presente da coletânea da prova e tê-la examinado durante a aula de de redação? Pois saiba que em 2006 meus alunos tiveram uma alegria com esta situação. Explico: tínhamos lido inúmeras reportagens, entrevistas e colunas e entre elas um dos muitos textos do físico Marcelo Gleiser, publicados na FSP. Pois não é que uma das questões pedia exatamente a leitura do texto desse físico pop? Além desse texto, marcado para resumir, os meus pupilos ainda levaram outro agradável susto. Sabe qual? A charge constante da prova tinha sido também examinada como exercício na aula de redação. Era uma charge do cartunista Jean.
Ler é sintetizar idéias meu querido leitor ; resumir é apenas uma das várias exigências das provas e da vida em geral. Prepare-se, portanto, para múltiplas cobranças, com especificidade de formato e intenções comunicativas, tais como: opinar, comparar, analisar charges, infográficos, dissertar e por ai vamos, mas sem treinar bastante a feitura dos resumos, os modelos anteriormente indicados não sairão satisfatoriamente, porque sem deter as informações sobre um tema não há como analisá-lo eficientemente.
Até a próxima! Um excelente final de semana a todos ! – e se alguém ler algo interessante, por favor, divulgue aos leitores e aos amigos.
Você leu? Ontem, os jornais trouxeram notícias sobre a infância , juventude e analfabetismo ; os índices são de 2007, mas os números continuam despertando preocupações: segundo o IBGE 84,5% das crianças e jovens que não sabem ler e escrever estão na escola. De lá para cá alterações não aferidas podem ter aparecido, mas as revelações compartilhadas pela imprensa são trágicas, indiscutivelmente. Se nossas crianças e jovens, de 7 a 14 anos, matriculadas nas escolas não estão auferindo as condições apropriadas para o desenvolvimento das habilidades da leitura e da escrita é preciso OLHAR, FICAR INCOMODADO E AGIR assertivamente em direção à escola brasileira, especialmente a pública.
Reprodução

Eu trabalho há décadas com leitura e redação - e comecei meu querido leitor, muito cedo; aos 12 anos eu já “olhava” a feitura das lições de casa de duas crianças, quase da minha idade. Ganhava um “agrado” para comprar revistinhas e guloseimas, o que era um incentivo e tanto para aquela menina de 12 anos que eu era. Os anos foram passando e a leitura e a escrita, minhas paixões absolutas, tomaram forma e sentido na vida desta professora; passei da teoria à prática muito cedo e tenho insistido que sem competência e entusiasmo pelo que se faz nada consegue avançar. O incentivo à leitura precisa começar desde casa - o ninho de segurança e afeto e gostosuras diversas - e receber dose extra de ânimo na escola e em toda a sociedade. Quem aprende a ler atravessa o enorme e ilimitado portal que nos leva com segurança à escrita - será que alguém ainda conserva qualquer duvida?
Ler é uma habilidade contagiante. Quando um professor, de qualquer disciplina, mostra entusiasmo pela leitura os alunos ficam examinando melhor aquele ser, quase atípico na escola, nas faculdades, nas universidades. Jornais, revistas, livros ou qualquer material impresso são itens utilíssimos à leitura. Ver o professor com materiais impressos nas mãos, em cima da carteira e também nas referências que faz, enquanto estabelece a mediação escolar, realiza manobras radicais, muito mais intensamente do que prateleiras inteiras, repletas de livros que ninguém mexe ou divulga.
Apreciar, mesmo que de relance, um professor escrevendo, expressando através da palavra no papel, o que pensa da vida, dos livros, da situação escolar é um incentivo e tanto ao aluno, mas o que mobiliza a escrita meu querido leitor? A vontade de dizer aos demais e ao mundo o que pensamos e o que desejamos, indiscutivelmente. Querer aparecer por meio da escrita deve ser o motivo maior dos produtores de textos? Sim, com toda certeza.
Quem aprendeu a ler avança diligente na vida de todo dia. Ler é necessidade imperativa na sociedade, no mundo do trabalho - e escrever é uma decorrência natural. Mas qual o porquê da brecada que alguns de nós estabelecemos diante de uma folha em branco? Qual o motivo para fugir do lápis, da caneta ou do teclado de um computador?
Sou suspeita quando o assunto é a leitura e a escrita, porque eu não vivo sem elas. Das palavras , das instâncias da oralidade e da escrita, tiro o meu sustento - e delas retiro encantamento, ânimo e prosa ilimitada. Meus alunos sabem, a cada aula, a cada encontro, a cada linha indicada, o valor atribuído a essas paixões. Meu colega professor, o político honesto, o diretor de escola, os pais responsáveis, o dono da banca de revistas, o jornalista, o bibliotecário , o blogueiro , entre outros mediadores da leitura e da escrita precisamos estreitar as mãos cada vez mais! Crianças e jovens são altamente sensíveis às boas causas e aos bons exemplos; quando o tino e o tento são colocados a serviço da leitura e da escrita eles fazem muito por esta pátria, infelizmente acossada por subtrações, desesperanças, desonestidades de toda ordem e tristes notícias, tal como a que nos convida a reflexão de hoje.
Quando comecei a dar aulas, ainda lá em Belém, no Pará, mal tinha entrado no curso de Letras. O que me levou a empreender essa imbatível cruzada pela disseminação da leitura e da escrita não foi o salário e a vida de professora – ainda sujeita às oscilações das más condições de trabalho e reconhecimento profissional , mas sim a vontade de compartilhar as alegrias auferidas com essas habilidades.
Ler é contagiante e Escrever é uma atitude de alcance poderoso. Eu sonho um dia saber que os jovens universitários em formação à carreira docente descobriram a essencialidade do papel de educadores nesta pátria querida; fico antevendo milhares de cadernos escolares ganharem coloridas impressões marcadas pela escrita das nossas crianças e jovens na escola brasileira. Saio do sonho e fico, nos intervalos das minhas aulas, escutando os candidatos aos cargos políticos, especialmente ali na Boca Maldita, mas não sinto firmeza nas rédeas que apregoam para a vida de todos que estão na escola.
Saiba meu querido leitor que a manutenção desta página eletrônica depende, em primeiro lugar do que nela eu escreva, mas sem a leitura dos que aqui aparecem o desejo pela exposição da escrita seria certamente arrefecido. Acontece assim na escola das nossas crianças e jovens e na vida em geral: é preciso estabelecer rigorosamente a manutenção das competências necessárias à formação de leitores e produtores de textos e desenvolver as habilidades nos que ainda não descobriram o valor da expressão das idéias através da escrita.
A formação de leitores e produtores de textos em língua portuguesa depende da formação qualificada dos mediadores da leitura e da escrita. É preciso rever os passos, as estratégias encetadas e disseminar franco entusiasmo nos ambientes educativos, caso contrário, este país nunca conseguirá diminuir os percentuais, sempre alarmantes do analfabetismo, da inabilidade com a escrita.
Sugestões:
1- Descreva, em 7 linhas, a sensação de desconforto e impotência que sentiria se não soubesse ler as placas de orientação existentes na cidade onde reside.
2- Escreva ao prefeito ou ao governador do seu estado, comumente defensores de uma plataforma política assentada na educação. Sugira maior rigor na seleção dos professores da rede municipal e estadual, assim como uma reavaliação do projeto de leitura e escrita nas escolas da cidade onde você reside. Atente aos dados numéricos apontados pela pesquisa do IBGE, assim como na constatação das limitações das crianças e jovens quanto às habilidades para ler e escrever; limite-se a 10 linhas.
Observação: a bela imagem fotográfica que ilustra a postagem saiu sem os créditos de autoria; sei que é da Gazeta do Povo - e se alguém conhecer o autor , por favor, indique na caixinha de comentários para que eu, imediatmente, possa editar a autoria.
Dia desses almocei com o cartunista Benett; um privilégio e uma satisfação ouvir por agradáveis minutos as razões para os nossos desencontros, que felizmente fazem parte da história de quem ganha a vida com as palavras – e aqui vale uma nota explicativa: escrevo um livro para vestibulandos e o instigante cartunista aceitou fazer as ilustrações que farão a ponte com o leitor mais jovem. Da conversa que mantivemos sobre a parceria , já estabelecida com todos os ais e ufas, garanti uma certeza : cartunistas, chargistas e ilustradores são exímios leitores.
Saiba, entretanto, que não tenho qualquer intimidade com a feitura do trabalho dessas feras do traço meu prezado leitor, mas guardava, há muito tempo, uma curiosidade ilimitada para acompanhar a composição do que, a cada manhã, na condição de leitores, vemos dinamizar os textos nas páginas do jornal. Uma notícia, um texto didático, um acontecimento certamente ganham mais interlocutores quando uma ilustração, uma charge, uma tirinha estabelecem as convergências informativas sobre o que se deseja ressaltar. Veja, por exemplo, a última charge do Tiago Recchia , publicada na edição de hoje na Gazeta do Povo; examine o que há por detrás dos elementos do riso, do fato a destacar, da intertextualidade presente.
Tiago Recchia / GP / 24 de setembro de 2008
A intertextualidade sempre na mira das charges de Tiago Recchia
Há muitos anos venho colecionando dados sobre as ilustrações presentes na mídia impressa e meus alunos passam a ler mais jornais, especialmente pela janela poderosa da ilustração, pois uma imagem vale muitas vezes, mais do que as palavras, embora não sobreviva sem que elas façam a tradução do que se vê , do riso aguçado, do bom humor, da indignação do autor e até mesmo do deboche ali presente. Com a seleção realizada tenho sempre um chamariz à escrita, o bicho-papão dos que arriscam a conquista de uma vaga nas universidades concorridas.
Devo aos ilustradores, sejam eles cartunistas, chargistas ou fazedores de tirinhas parte do mérito em aguçar diariamente o apetite informativo dos meus alunos. Exímios leitores esses artistas fazem a degustação informativa para no dia seguinte nos apresentar o riso, o fato e a notícia , a linguagem , o estilo do traço, das cores harmonizadas, do nonse, da contradição, do inusitado, entre outros aspectos.
Para interpretar um desses modelos de textos, assentados na imagem ilustrativa , basta mobilizar a habilidade da observação criteriosa para descrever o que se vê, associar todos os pormenores informativos do fato ressaltado - e partir diligente em direção à tradução, sempre a exigir apurada mobilização dos recursos textuais.
Quer experimentar analisar uma charge ou uma tirinha? Pois fique à vontade para seguir o roteiro , aqui traduzido num providencial esquema que codifiquei para os meus alunos nas aulas de redação:
Análise de Charge/Tirinha= F(menção à fonte) + T (alusão ao tema) + D(descrição do que se vê) + C(leitura crítica)
Sugestões de escrita ao leitor, apreciador das ilustrações e sempre antenado com as notícias

1- Considere a charge do Paixão ( GP, Opinião, 24 / 9 /2008) Examine-a atentamente; expresse em um texto argumentativo as suas justificativas para o índice de popularidade do presidente Lula; limite-se a 8 linhas, sem esquecer de privilegiar a objetividade na exposição das suas idéias e articulada composição textual - e faça bonito na redação. Fuja das expressões chulas; mantenha a distinção vocabular , abomine as expressões clichês e faça valer o caráter inteligível e lúcido na sua argumentação.
2- Ler, escrever, desenhar, pintar, arquitetar, construir e encantar interlocutores são habilidades plenamente aprimoradas pelo exercício constante- e os cartunistas e ilustradores em geral não hesitam em mobilizar seus esforços para nos divertir com as suas produções diárias. Escreva uma carta curta à Comissão que elabora a prova de Compreensão e Produção de Textos do vestibular da Ufpr e solicite que continue incluindo charges e tirinhas nacionais na prova, mas que ressalte o talento dos artistas paranaenses e lhes oportunize o merecido destaque no interior da prova ;limite-se a 6 linhas e não esqueça do tratamento Senhores Organizadores para iniciar o seu texto.
Até a próxima!
Trabalho há décadas com a redação e tanto aprecio o escrever que estabeleci com ele a mais extrema familiaridade; não passo um dia sequer sem redigir algo. Quer exemplos? Elaboro instruções para as minhas oficinas, escrevo bilhetes domésticos, faço uma anotaçãozinha aqui e ali nos cadernos dos meus alunos, respondo e envio comunicados pela internet e também pelo celular , redijo cartas manuscritas à minha mãe, produzo e encaminho comentários para as seções os leitores dos jornais, escrevo para os blogs ou ainda preparo mais um capítulo para outro livro. Jornalistas e escritores também vivem essa intimidade com as palavras expressas no papel. Experimente ler o que Cristovão Tezza comenta hoje, na Gazeta do Povo, sobre o tema - e se tiver disposto a analisar o assunto examine o que declaram os leitores atentos na Coluna do Leitor na mesma edição do jornal.
Eu sonho com esta pátria plenamente alfabetizada e que a redação deixe de ser um exame classificatório à universidade, mas o temor que a escrita exerce sobre os brasileiros é desproporcional , sobretudo quando presenciamos a conversa solta, que rola nas situações presididas pela oralidade. Na conversa ao telefone, no papo amigo e nas ocasiões de descontração oral a maioria de nós ganha aplausos na desenvoltura, na facilidade de expressão. A fala é para nós semelhante a um cavalo sem arreios, mas a escrita, convenhamos , precisa ser concatenada, mirar objetivos e vencer desafios circunstanciais. Escrever é estabelecer, atribuir sentidos e disposição às palavras; exige, além da reflexão sobre determinado tema, o conhecimento dos recursos textuais e a mira no interlocutor para que as palavras saiam por ai dançando e estabelecendo as suas conveniências comunicativas.
Profissionalmente são inúmeras as ações ligadas à escrita que até organizei um ABC da Redação. Quer conhecê-lo? Pois comece examinando o nosso Alfabeto, ora acrescido, depois do Acordo Ortográfico, das letras K, W e Y. Comento frequentemente com os meus alunos que toda a escrita começa com a reflexão temática, mas é com esse jogo bem divertido de juntar as letras para formar as sílabas, organizar as palavras, compor as frases, os períodos e os parágrafos que a produção de textos acontece ilimitadamente. Confira algumas amostras.
Reprodução

A – Adequação é a palavra de ordem na escrita; é preciso ajustar o atendimento dos propósitos comunicacionais; se o texto exige linguagem formal, pois o atendamos e se ele prevê descontração lingüística lhe ofereçamos a linguagem coloquial, por exemplo.
B - Burilar é aperfeiçoar o estilo e nada melhor do que treinar a escrita e afastar todo elemento que nela apareça para desvalorizá-la; tome aqui as gírias, as redundâncias e o vocabulário chulo e grotesco.
C - Coesão e Coerência são duas expressões recorrentes na escrita; quem desatende a necessidade de nexos na redação deixará de fora a coerência com toda a certeza; é necessário conhecer e explorar todos os recursos coesivos (as conjunções, os pronomes relativos, as preposições, a pontuação, etc.).
D - Diversidade lingüística é uma possibilidade na redação; está ligada sempre ao atendimento do interlocutor; é possível utilizar dos níveis da linguagem para ajustá-los aos interlocutores correspondentes. Veja a linguagem presente nos livros voltados ao público infantil ou juvenil; são ajustados à compreensão lingüística dessa fatia de leitores.
H - Habilidades são requisitadas durante a escrita; não é de hoje que interpretar com segurança as informações, traduzir alegorias e articular recursos textuais para concatenar as idéias em um texto são exigências imprescindíveis na redação.
I - Interlocutor é para quem devemos atentar invariavelmente na escrita; todo texto representa um ato de linguagem e a figura de quem lê o que escrevemos é fundamental para ajustar as intenções do que se escreve.
J - Jargão lingüístico na redação deve ser utilizado entre aspas, pois é uma derivação do léxico; termos técnicos de determinada profissão são utilizados como gírias. Quer alguns exemplos? Os encontrados no vocabulário jurídico, nos textos de economia, nas locuções esportivas, entre outras, muitíssimo variadas.
L - Liberdade de expressão é uma conquista fabulosa em nosso país; expressar as idéias de modo claro e objetivo e com liberdade para discordar ou concordar de algo é sensacional. Por exemplo,na correção dos textos opinativos nunca estará em apreciação a sua opinião, mas sim a estrutura textual utilizada para veiculá-la.
M - Morfologia é conhecimento decisivo na composição de um texto; identificar formas das palavras e saber escolhê-las para dar sentido às nossas idéias é uma aliada da autonomia com a escrita. Verbos, pronomes, conjunções, interjeições, substantivos, adjetivos e outras categorias alimentam as frases e quem sabe articulá-las nunca terá dificuldades de expressão.
N - Nomenclaturas são necessariamente presentes na rotina de quem escreve; quer um exemplo: recursos textuais, desinências indicativas de gênero, número e grau, sinais de pontuação, recursos coesivos, figuras de linguagem, etc.
O - Ortografia não é um grande obstáculo durante a escrita, no entanto, escrever desafiando as convenções ortográficas não deve ser uma prática. Será conveniente rever as regras convencionadas para não ser corrigido nesse quesito.
P - Pontuação é domínio sempre em destaque para quem escreve; dificilmente alguém redigirá bem se não souber utilizar os sinais que marcam as pausas na escrita. Tenho insistido com os meus alunos para que adotem outros sinais na redação, porque a maioria fica apenas na vírgula, nas aspas e no ponto final. Por que não se diversificar o uso dos sinais? Travessão, parênteses, reticências, dois pontos; pontos de interrogação e de exclamação fazem a dinâmica expositiva das idéias.
Q - Qualidade textual é decorrente do conhecimento dos elementos de texto e de intenso exercício com as palavras; quem escreve qualitativamente é porque treinou muitas vezes a expressão das idéias no papel ou mesmo na tela do computador.
R - Rascunhar é uma atitude; deve ser adotada por quem deseja êxito no produto final do seu trabalho de escrita; vale como um esboço; é uma espécie de texto sujeito às alterações convenientes.
S - Situar o leitor é fundamental quando se escreve e a escolha dos tempos verbais, das adjetivações, do gênero textual, entre outros elementos do texto são pistas fundamentais ao interlocutor.
T - Tematizar significa analisar um assunto com aprofundamento; pode-se realizar uma tematização sobre, por exemplo, a violência, práticas de cidadania, vantagens e desvantagens da escrita online, etc.
U - Unidade textual significa a coordenação das partes de um trabalho com a escrita. Devem estar articulados, por exemplo, a introdução o desenvolvimento e a conclusão, caso contrário a unidade expositiva estará comprometida.
V - Vocabulário é um elemento que reflete a apreensão de significados de quem escreve; é sinônimo da intelecção ou grau de inteligibilidade; é um item de destaque na redação e também na oralidade.
X - Xenofobia é a aversão às pessoas e elementos estrangeiros; na redação manuscrita expressões de origem estrangeira devem ser destacadas entre aspas e apenas utilizadas quando não se contar com elemento correlato em língua portuguesa - e na escrita online devem aparecer em itálico para marcar a diferença léxica.
Z - Zelo com a unidade de sentidos na redação é o que você deve manter durante a escrita. Concatenar idéias e expressá-las através da escrita exige cuidadosa atenção aos elementos estruturais, próprios da numerosa tipologia textual. Quer exemplos: não rasurar, manter o texto legível, qualificar o vocabulário trocando expressões repetidas por sinônimos, atentar à pontuação e à concordância entre as palavras, além de outros recursos textuais apropriados à escrita nota 10.
Infelizmente ainda não consegui encontrar expressões ligadas à redação que sejam iniciadas pelas letras K e Y; ambas foram recentemente incorporadas ao nosso alfabeto. Caso você conheça ou tenha uma sugestão, por favor, não hesite em compartilhar o seu achado comigo.
Arquivo Casa da Linguagem / Curso de Redação / 2007
São ilimitadas as possibilidades para formar palavras, parágrafos e textosSugestões de escrita
1- Examine os informes sobre as alterações ortográficas recentemente adotadas pelos países de língua portuguesa. Atente às críticas e produza um resumo dessas observações sobre o assunto. Não esqueça de mencionar a fonte, a idéia principal e as secundárias; limite-se a 10 linhas.
2- Organize uma lista de temas, uma espécie de A B C, a partir da leitura da primeira página de um jornal e escreva, ao menos, um parágrafo de 5 linhas para cada assunto tratado nos textos - e se ficar interessado nesse jogo divertido de ampliação do campo semântico que tal organizar glossários específicos? Quer alguns exemplos? De letras de música, de bandas de rock, de itens ligados aos estudos da Física, de lugares interessantes para visitar, de comidas, de amigos, etc.
Até a próxima!
Ser Jornalista É... - Em Busca da Notícia
ATUALIZADOhá 45min
ATUALIZADOhá 2h
Os melhores preços estão aqui, clique e compare!
Powered by: Buscapé
Compare Preços MP3 Player A partir de R$59,90
Fast Shop.com.br MacBook Intel Core 2 Duo Apple Em 10x de R$299.90
CASA&VIDEO.COM Sony Ericsson W350 Em 10x de R$49.90
Compare Preços Câmera Digital A partir de R$59,90
Compra Fácil Positivo PC da Família F190L Em 10x de R$139.85