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Quinta-feira, 20/11/2008

Blogs > Sintonia Musical

Sintonia Musical

Quem faz o blog
Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 17/11/2008 às 17:30

“O tempo para Alaíde não passa, graças a Deus!” (Milton Nascimento)


ANDRÉ AMERUSO/Reprdução encarte

ANDRÉ AMERUSO/Reprdução encarte / UMA DAS MAIS REFINADAS INTÉRPRETES DA MPB, ALAÍDE COSTA LANÇA “CANTA MILTON – AMOR AMIGO” SÓ COM MÚSICAS DE MILTON NASCIMENTO: “FOI UM DESAFIO PARA MIM”UMA DAS MAIS REFINADAS INTÉRPRETES DA MPB, ALAÍDE COSTA LANÇA “CANTA MILTON – AMOR AMIGO” SÓ COM MÚSICAS DE MILTON NASCIMENTO: “FOI UM DESAFIO PARA MIM”

Como pode uma voz tão frágil, sussurrante até, ficar imensa quando canta? Sempre me faço essa pergunta quando converso com Alaíde Costa. Por falta de retorno satisfatório – a técnica não se basta – atribuo tal grandeza aos mistérios inflexíveis.

Aos campos sensoriais, “Alaíde Costa canta Milton – amor amigo” em que a intérprete tributa voz e impressões próprias a canções de Milton Nascimento. Ela possui a compreensão da musicalidade do amado amigo de anos. O disco, sob chancela da Lua Music, é um dos melhores projetos de 2008. Possui contornos históricos.

Quando ouço Alaíde Costa fico com os pêlos eriçados. Adoro o que dela provém. Telefono. Do outro lado da linha a inconfundível voz atende.

Apresento-me e ela, imediatamente, quebra as formalidades. “A gente não se conhece?”, indaga. Respondo afirmativamente. “Tudo bem?”. Imediatamente falo do fascínio do projeto com músicas do Milton.

- Você gostou?
- Adorei.
- Mesmo?
- Tudo o que você faz tem peso, Alaíde. Pára de ser modesta, mulher!
- Ah, eu sou assim...

Rimos.

“Alaíde canta Milton – amor amigo” é feito com canções em que Milton Nascimento e parceiros tocam o amor e suas confluências. Há o amor contido, o cotidiano, o melancólico,o confessional, das gratas causas, das instâncias, das querenças,da lucidez camuflada.

“Milton não precisou escrever `eu te amo´ para o amor estar presente nas canções que escolhi”, diz Alaíde. Verdade! Portanto, não é um disco romântico. É sentimental, contemplativo.

Doze faixas. Citações de “Bodas” e “Amor amigo” abrem e fecham o álbum. Alaíde põe canto em dez faixas das décadas de 60 e 70, períodos dos mais férteis do carioca mais mineiro do Brasil. “Beijo partido” (Toninho Horta) entra como licença poética, afinal foi Milton quem fez a canção ter alcance.

Aptos músicos adentram no universo de Alaíde, cuja característica essencial é erguer projetos nos quais o intimismo e o recitativo se roçam. Algumas faixas têm pujança instrumental, outras mais econômicas resolvem-se – e muito bem –com um ou outro instrumento.

A base sonora vem, em especial, de Hamilton Messias (piano), Ronaldo Rayol (violão), Eric Budney (baixo acústico), Nahame Casseb (bateria e percussão), Jonas Macaio (cello) e Iuri Savagnini (acordeon).

Alaíde deixa digitais em canções propagadas com definitivas na voz do criador: “Morro velho”, “River Phoenix”, “Um gosto de sol” ou mesmo “Travessia” só com voz e Cello.

Maravilhas? “Milagre dos peixes” e “Sentinela”. Refinada e coerente senhora prestes a completar 73 anos, dos quais 53 anos dedicados ao artesanato musical.

Alaíde sou todo, todo coração quando ouço você cantar!
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Sugestões para comentários:

1) Qual sua opinião a respeito de Alaíde Costa?

2) Quais músicas ou discos do Milton Nascimento você gosta?
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Gostaria que você falasse um pouco da sua relação com o Milton Nascimento.

Eu conheci o Milton antes mesmo dele ser o famoso Milton Nascimento. Um dia, um amigo que tem o apelido de Jacaré, disse que havia conhecido o Milton, que tinha músicas maravilhosas e perguntou se eu gostaria de conhecê-lo. Marcamos um encontro na minha casa e fiz até um bacalhau com leite de coco (risos). Isso em 1965. Milton todo quietinho, tímido, como eu...

Olha só!

Eu falo agora com você, mas em público fico numa timidez danada. Bom, o Milton pediu para que eu gravasse “Pai grande”. Fui gravar anos e anos depois. Na época, eu estava sem gravadora por não querer abrir mão da boa música. Gravei a música com arranjo belo do João Donato no disco “Coração” (1976), que o Milton produziu. Mas antes disso, eu participei do “Clube da Esquina” (1972), onde cantei “Me deixe em paz”, em dueto com ele. De lá para cá houve um afastamento natural, pelo fato de ter me mudado para São Paulo, mas a amizade continuou a mesma. Fazia muitos anos que a gente não se via e eu fiquei muito feliz em reencontrá-lo nesse disco.

Quais os desafios que a música do Milton oferece a um intérprete?

Muitos. Não é fácil cantar, por exemplo, “Outubro”, que exige uma extensão que eu pensava eu não ter; vai do grave ao agudíssimo. Foi um desafio para mim. Você tem que ter muita coragem para cantá-lo porque ele faz tudo tão bem feito. Fiquei meio assim, quando me apresentaram o projeto, mas no final eu disse: “vamos tentar”. Pesquisei e fiquei com
aquelas que mais se adaptavam à minha voz.

Você pegou o lado que fala de amor, não só o amor carnal, né?

Exatamente. O Milton apresenta vários caminhos para o amor e eu escolhi as canções de amor porque é a minha praia. Teve alguém que falou: “Ah, `Travessia´ o Milton gravou, a Elis gravou...”. Sabe aquelas coisas, né? Pois eu disse que iria gravar de uma forma diferente. Canto só com cello; fiz uma “Travessia” diferente.


GUALTIER SGARBOZA/Divulgação

GUALTIER SGARBOZA/Divulgação / AMIGOS HÁ ANOS, ALAÍDE E MILTON SE REENCONTRARAM DURANTE A GRAVAÇÃO DA FAIXA “VIOLA VIOLAR”: “EU CANTO AS MINHAS VERDADES”AMIGOS HÁ ANOS, ALAÍDE E MILTON SE REENCONTRARAM DURANTE A GRAVAÇÃO DA FAIXA “VIOLA VIOLAR”: “EU CANTO AS MINHAS VERDADES”

Você é uma cantora essencialmente romântica?

Sou sim. Não sou muito de cantar festa.

Você gosta muito das canções do amor melancólico, né? Você é melancólica por natureza?

Não sou, mas na hora da música eu vou para esse lado.

Eu a admiro por não fazer concessões, ou seja, gravar apenas o que quer.

É uma opção minha e eu pago um preço muito alto por isso. Financeiramente não estou estável, ainda luto pelo pão de cada dia.

O Brasil foi ingrato com você?

Não digo o Brasil, mas as máquinas que não deixam a gente ter mais espaço. Não só as gravadoras, mas as televisões, rádios... Querem retorno financeiro imediato, não querem investir em qualidade. Da minha época sou uma das poucas sobreviventes.

Se fosse para fazer um balanço até agora da carreira, o que você diria?

O saldo foi médio.

Médio?

Vou explicar. Como trajetória musical eu não me arrependo de nada, mas na parte financeira deixou muito a desejar. Vou completar 73 anos e era para estar com uma vida mais tranqüila. Fiz minha escolha.

Você poderia ter ficado rica se abrisse mão do seu estilo?

Talvez...

E se você passasse, de repente, a cantar sertanejo ou axé? Isso dá dinheiro...

(riso) É ruim, hein?! Cruzes!! Eu cantaria sertanejo, desde que fosse o autêntico sertanejo, de raiz, que tem tantas coisas lindas. Eu até cantaria sim. Gosto de “Tristeza do Jeca”, por exemplo. Cantaria numa boa. Outras coisas nem pensar! Canto minha verdade.

REPERTÓRIO

1. Bodas (Milton Nascimento e Ruy Guerra, 1974)
2. Um gosto de sol (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1983)
/ Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972)
3. Outubro (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967)
4. Viola violar (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1974)
5. Carta a um jovem ator- River Phoenix (Milton Nascimento, 1988)


Reprodução

Reprodução / ÁLBUM CONTÉM CANÇÕES DE MILTON NASCIMENTO E PARCEIROS E TRATA DAS DIVERSAS MANIFESTAÇÕES DO AMOR: PROJETO TEM CONTORNOS HISTÓRICOSÁLBUM CONTÉM CANÇÕES DE MILTON NASCIMENTO E PARCEIROS E TRATA DAS DIVERSAS MANIFESTAÇÕES DO AMOR: PROJETO TEM CONTORNOS HISTÓRICOS

6. Sentinela (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1969)
7. Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967)
8. Morro velho (Milton Nascimento, 1967)
9. Milagre dos peixes (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1973)
10. Canção do sal (Milton Nascimento, 1966)
11. E a gente sonhando (Milton Nascimento, 1972)
12. Beijo partido (Toninho Horta, 1975)
/ Amor amigo (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981)

Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 12/11/2008 às 19:12

“Que tudo vive a dizer, que você é diferente dessa gente que finge querer”

Chama-se “Curare” e é de Rosa Passos, cantora, compositora e instrumentista de fino trato. Que vem a ser o primeiro projeto formatado em Compact Disc no Brasil, e o segundo título da discografia da intérprete baiana.

Delicado e com o toque personalíssimo da Rosa baiana ao violão, o disco retorna às lojas 17 anos depois em edição luxuosa como parte dos 10 anos de existência da gravadora Deckdisc.

Rosinha, a quem sou todo afeto e admiração desde há muito, nunca comentou nada a respeito nas conversas ao vivo ou por telefone.

Ligo para seus números, caixa postal. Não deixo recado, mas a ouço cantando "Vatapá" (Caymmi)na gravação. Deve estar encantando em algum lugar do mundo... Mas imagino Rosinha respondendo: “Falei nada não, meu preto?”

“Curare” foi lançado no segundo semestre de 1991, numa época em que discos de vinil ainda imperavam. O CD recebeu a classificação AAD (correspondente à gravação e mixagem analógica e reprodução digital).

A idealização de uma gravadora que pudesse colocar no mercado produtos apenas em CD foi de Umberto Contardi. Projeto ousado, afinal o preço do equipamento para reproduzi-lo não era acessível. Inicialmente, criou-se um selo.


Reprodução

Reprodução / LANÇADO EM 1991, “CURARE” TRAZ CLÁSSICOS DA MÚSICA BRASILEIRA COM TOQUE PERSONALÍSSIMO DE ROSA PASSOS AO VIOLÃO: EDIÇÃO LUXUOSA FAZ PARTE DAS COMEMORAÇÕES DOS 10 ANOS DA GRAVADORA DECKDISCLANÇADO EM 1991, “CURARE” TRAZ CLÁSSICOS DA MÚSICA BRASILEIRA COM TOQUE PERSONALÍSSIMO DE ROSA PASSOS AO VIOLÃO: EDIÇÃO LUXUOSA FAZ PARTE DAS COMEMORAÇÕES DOS 10 ANOS DA GRAVADORA DECKDISC

“Tecnicismos à parte, significava uma qualidade de som fenomenal quando comparado ao som DDD dos dias de hoje”, assinala João Augusto, presidente da Deck Disc, no material de divulgação. “Fomos rapidamente seduzidos pelo entusiasmo de Umberto com o projeto. A idéia era fazer uma gravadora diferente em que artistas tivessem alta qualidade e nível para vender CD”, complementa ele.

Umberto Contardi foi quem sugeriu o nome de Rosa Passos. Contrato assinado, mãos às cordas. “Curare” reúne clássicos que vão desde a faixa título, bela canção de Bororó, a releituras particularíssimas de “Aquarela do Brasil”, “Tim Tim por Tim Tim” em que se percebe a habilidade rara de Rosa brincar com os compassos.

Algumas faixas tinham sido relidas por João Gilberto, a quem a cantora e compositora tem como mestre. Ah, sim, “Curare” serviu para reforçar a conversinha de que a intérprete era uma espécie “João Gilberto de saias”. Ela responderia tempos depois. “João foi minha influência assim como a Bossa Nova, mas não fico o dia todo sentada num cantinho e com o violão. Eu componho diversos estilos”.

Com o tempo, a comparação foi cessando e Rosinha seguiu adiante com seu estilo particular de cantar e tocar e sentir o samba com sotaque jazzístico.

Olha que interessante: “Curare” tem arranjos e regências de cordas de Waltel Blanco. Participam também os seguintes músicos: Lula Galvão (violão e arranjo), Erivelton Silva (bateria), Jorge Helder (baixo acústico), José Antônio (piano), Idris Boudrioua (saxofones), Marçal (percussão).

Nas cordas, Zé Alves, Pareschi (spalla), Daltro, Vidal, Aizik, Waltel Hack, Eduardo Kack e Léo Ortiz nos violinos, além de Stephany, Jesuína, Penteado, Eduardo (violas) e Marcio Malard e Jorge Kundert (cellos).

O encarte, agora com todas as letras, reproduz as declarações apaixonantes de ilustres personalidades como Aloysio Oliveira: “Não sei como cabe tanto talento dentro dessa `baianinha mirim´chamada Rosa Passos, e é este tipo de talento que quem presencia pela primeira vez e não vai esquecer nunca”.


Divulgação/gravadora Deckdisc/autoria não informada

Divulgação/gravadora Deckdisc/autoria não informada / ARTISTA GENEROSA, ROSA PASSOS É PRESTIGIADA NO BRASIL E TAMBÉM NO EXTERIOR, ONDE SE APRESENTA NOS PRINCIPAIS CIRCUITOS DE JAZZ: FLOR DA BAHIA<br />
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ARTISTA GENEROSA, ROSA PASSOS É PRESTIGIADA NO BRASIL E TAMBÉM NO EXTERIOR, ONDE SE APRESENTA NOS PRINCIPAIS CIRCUITOS DE JAZZ: FLOR DA BAHIA


O crítico e pesquisador Tárik de Souza foi mais além: “A vozinha de Rosa Passos fala de Bossa Nova e Tropicalismo, samba e bolero. Rosa Passos simplesmente ultrapassa os tradicionais limites da estréia promissora”. Até o temível José Ramos Tinhorão se rendeu em elogios, assim como Nana Caymmi, Caio Fernando Abreu e Johnny Alf.

ROSA UNIVERSAL - Lembro-me de já estar apaixonado com divisão e "quebradas" harmônicas inteligentes ao violão e a voz penetrante de Rosa Passos quando recebi “Curare”, relançado pela gravadora Velas. Fui a Curitiba conhecê-la de perto.

Meados da década de 90, Teatro do Paiol, passagem de som, fiquei de longe observando Rosinha dando as coordenadas aos músicos. Violão em punho, vontades próprias. Instrumentos arriados, fui trêmulo me apresentar. Acolhimento. Pronto, o amor amigo estava instalado. Para sempre.

Tantas batalhas e hoje aí está Rosa Passos, uma estrela internacional. Desde maio deste ano, ela tornou-se a primeira artista latina a ostentar o título “Doutora Honoris Causa”, da Berklee College of Músic, universidade referencial do jazz, em Boston. Recentemente foi ovacionada no Tim Festival 2008.

Rosa Passos brilha. É a grande senhora do samba-jazz brasileiro, assim reconhecida por monstros sagrados como Ron Carter, Yo Yo Ma, Henri Salvador, Paquito D´Rivera, Michel Bublé. Alguns. Muitos.

Ouço “Curare” com o pensamento voltado no dia em que toquei aquela Rosa.

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Sugestão de comentário: Você ainda guarda discos de vinil ou se rendeu definitivamente ao CD?
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Repertório de Curare

1.Curare - (Bororó)
2.Fotografia - (Tom Jobim)
3.Tim Tim por Tim Tim - (Geraldo Jaques - Haroldo Barbosa)
4.Coisa Mais Linda - (Carlos Lyra - Vinícius de Moraes)
5.Dindi - (Tom Jobim - Aloysio de Oliveira)
6.Aquarela do Brasil - (Ary Barroso)
7.A Felicidade - (Tom Jobim - Vinícius de Moraes)
8.Folha Morta - (Ary Barroso)
9.Só Danço Samba - (Tom Jobim - Vinícius de Moraes)
10.Sim ou Não - (Djavan)
11.O Nosso Amor - (Tom Jobim - Vinícius de Moraes)
12.Adeus América - (Geraldo Jaques - Haroldo Barbosa) / Eu Quero um Samba (Haroldo Barbosa - Janet de Almeida)
13.Ilusão à Toa - (Johnny Alf)

Mais informações sobre a artista podem ser obtidas no site: http://www.rosapassos.com.br/stage/pt/home.asp


Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 10/11/2008 às 18:01


ANA QUINTELLA/DIVULGAÇÃO

ANA QUINTELLA/DIVULGAÇÃO / A MEZZO SOPRANO BAIANA VIRGÍNIA RODRIGUES LANÇA A MEZZO SOPRANO BAIANA VIRGÍNIA RODRIGUES LANÇA "RECOMEÇO", DISCO DE VOZ E PIANO: "MINHA INTENÇÃO FOI REALÇAR A CONSTRUÇÃO MELÓDICA E POÉTICA"

"Há almas que têm/ a mais louca alegria/ que é quase agonia/quase profissão"
("Alma", Sueli Costa - Abel Silva)
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Desfaz-se o silêncio de cinco anos. Do diafragma entumecido à emissão, Virgínia Rodrigues eleva a voz a Deus, deuses e mortais à volta de seu canto de matizes tantas e agora acondicionado em “Recomeço” (gravadora Biscoito Fino).

Acompanhada apenas pelo piano de Cristóvão Bastos, a mezzo soprano baiana dispõe o canto quente num projeto que exalta o amor e seus contratempos.

Só uma intérprete de lâmina afiada consegue talhar releituras graças à compreensão de que seu canto, arregimentado pela técnica lírica, pode ressaltar nuances de obras populares.

Virgínia mais agrega do que promove margens comparativistas ao dar nutrientes necessários até mesmo a clássicos exauridos por cantares muito. É o caso, por exemplo, de “A noite do meu bem” (Dolores Duran).

O piano de Cristóvão Bastos – arranjador das 11 faixas – constrói harmonias elegantes, dignas de um recital. Sim, “Recomeço” é um disco recitativo.

Em boas mãos, Virgínia Rodrigues ocupa ambientes com seu timbre ao redesenhar, no tempo da delicadeza, canções aquietadas na memória popular: “Boa noite, amor” (José Maria de Abreu - Francisco Mattoso), “Canção do amor” (Elano de Paula-Chocolate), vibrações advindas de, respectivamente, Francisco Alves e Elizeth Cardoso. Ou mesmo “Eu te amo, amor” (Francis Hime – Vinicius de Moraes).

Tom e Vinicius estão no repertório em dose dupla e bem servida: “Por toda a minha vida” e, meu Deus, “Estrada branca”. Eis a essência de “Recomeço”, o amor total e a aspereza do sentimento que move mundos e fundos.

A seleção contemporânea abarca “Alma” (Sueli Costa- Abel Silva), hit de Simone, “Todo o sentimento” (Cristóvão Bastos – Chico Buarque) e “Beatriz” (Edu Lobo-Chico Buarque) . Eis a assinatura de uma intérprete.

A reverência às divindades afros, recorrente em sua discografia, dessa vez vai para Nanã, senhora das profundas águas , fornecedora do barro com o qual se fez o homem. Está contida em “Porto de Araújo”, intrincada melodia de Guinga e versos do poeta Paulo César Pinheiro. Saluba, Nanã!

Se nos outros três discos – “Sol negro” (1997), “Nós” (2000) e Mares profundos (2003) – Virgínia Rodrigues mantinha forte sotaque afro-brasileiro, em “Recomeço” oferece seu canto à universalidade. O exterior a aclama; sabe aquela coisa do “deu no The New York Times”. Predicados e adjetivos. Então...

Bem fez Caetano Veloso ao descobri-la durante ensaio do Bando de Teatro Olodum, em 1997, e apadrinhá-la. Bem fez Maria Bethânia ao chamá-la para a primeira gravação (na faixa “Invocação”, de Chico César, no disco “Âmbar”, 1996).

Bill Clinton, ex-presidente norte-americano, tornou-se admirador de marca maior desde quando a viu cantar, durante visita oficial ao Brasil, em 1997, e lhe dedicou linhas maiores em sua biografia “Minha vida”.

Sagrada, Virgínia Rodrigues canta para o reino anímico!

“Recomeço” é sentimental, romântico até, né?

Esse disco fala de amor, de alegria, de várias emoções. Minha intenção foi realçar a construção da melodia e da poesia através do piano e voz. A canção “Beatriz”, por exemplo, eu tomei a ousadia de gravar depois de Milton Nascimento e Monica Salmaso. É muita cara de pau de minha parte

(risos) Cara de pau é bom!

Pois é, minha vontade de gravá-la ultrapassou tudo...

Virgínia, sua voz requer apuro auditivo, atenção do ouvinte. Quem te ouve? Que tipo de público você está formando ou já formou?

Olha, eu acredito que o meu show é para quem quer sentar e apreciar música boa. Não é para badalar, remexer o corpo, batucar na mesa. Ainda mais com o repertório desse disco que é para quem quer música para relaxar, para matar a saudade, ouvir tomando um vinho...

Para namorar...

Exatamente, serve para um monte de coisas boas.


Reprodução

Reprodução / EM EM "RECOMEÇO", A INTÉRPRETE É ACOMPANHADA APENAS PELO PIANO DE CRISTÓVÃO BASTOS: RELEITURAS COM ASSINATURA MUITO PARTICULAR

Você é uma cantora popular, mas tem técnica do canto lírico. Nunca lhe passou pela cabeça gravar um disco só com árias?

Já pensei sim! Minha formação musical vem também de coral de igreja onde aprendi várias árias, mas não levei adiante esse projeto. Pensei em cantar árias de óperas bem como fazer algo com o samba de roda da Bahia. Enfim, são projetos que ficam na cabeça e que com o tempo vão amadurecendo, como o “Recomeço”, só com voz e piano, que agora pude realizar.


ANA QUINTELLA/ DIVULGAÇÃO

ANA QUINTELLA/ DIVULGAÇÃO / ACLAMADA NO EXTERIOR E ADMIRADA ATÉ POR BILL CLINTON, A VOZ DE VIRGÍNIA PERCORRE O REINO ANÍMICO: ACLAMADA NO EXTERIOR E ADMIRADA ATÉ POR BILL CLINTON, A VOZ DE VIRGÍNIA PERCORRE O REINO ANÍMICO: "EU CANTO PARA OS DEUSES; A MÚSICA É UMA DIVINDADE TAMBÉM"

Você falou da ligação musical através do canto coral em igrejas, mas religiosamente sua ligação maior é com o candomblé que é bonita e verdadeira!

É verdadeira porque está no meu sangue, vem dos meus ancestrais. Eu nasci em Salvador, mas apesar de ser negra infelizmente – olha só, eu disse infelizmente - não fui criada num terreiro de candomblé. Minha formação religiosa familiar é católica apostólica romana. O candomblé entrou na minha vida quando eu já estava com 30 anos de idade.

Quais seus orixás?

Minha cabeça é de Ogum com Nanã e Iemanjá Ogunté, no ajuntó (alternância entre os segundo e terceiro orixás).

Você canta para Deus?

Eu canto para os deuses! A música é uma entidade. As pessoas pensam que não, mas quem tenta se sobrepor à música pode ser “derrubado”. A gente não tem poder sobre a música; ela nos dá o que quer. A música é um dos maiores bens que Deus e os deuses nos deram, é uma divindade. Se você acha que mandar nela, pode se enganar porque de repente ela pode não estar mais ao seu lado, já foi.

Você já foi manicure, doméstica e agora vive de música. Ela lhe dá um sustento financeiro razoável? Está rica?

(risos) Estou rica de música, graças a Deus. A música me deu, claro, a oportunidade de viver daquilo que eu sempre gostei: cantar. Meu trabalho não é comercial para início de conversa. Vivemos num período de vulgarização, banalização, do descartável em que a música, de uma maneira geral, parece seringa de injeção: usa-se e joga fora. Hoje tudo pede resultados rápidos. Por outro lado, existem pessoas que não fazem um trabalho comercial, como eu, que acabam sendo penalizadas. Tenho 11 aos de carreira, não estou rica, mas a música permite que eu consiga me sustentar, comer, vestir, calçar, pagar minhas contas.

Você não teme, Virgínia, ser considerada uma cantora elitista?

Eu não sou uma cantora elitista! Quando a gente faz arte tem que pensar em nível de mundo... Olha esse papo de que suburbano não gosta de música boa é mentira! Isso foi uma forma que acharam para justificar a falta de investimento em arte para todos. Eu nasci e me criei no subúrbio, minha família é suburbana e eu freqüento o subúrbio porque minhas origens estão lá. As pessoas, muitas vezes, não vão a um show, por exemplo, do Caetano Veloso ou da Bethânia porque não têm grana.

Os ingressos dos seus shows são populares?

Os ingressos dos meus shows não vãoa R$ 50, 00, eu acho. Eu nunca sei qual é o valor do ingresso, nunca pergunto.

É preço popular pra você?

Olha eu não acho que seja popular nem que seja caro. Na verdade, o povo brasileiro não tem dinheiro, entendeu? Minha sobrinha trabalha e pode tirar de vez quando R$ 50,00 para assistir a um show. Mas também conheço pessoas pobres que pagam o mesmo valor – e isso vai de gosto – para ver bandas de sucesso.

Você gosta da chamada axé music, que toca no carnaval?

Eu não escuto, apesar de gostar de algumas pessoas que fazem axé-music. Eu prefiro escutar um samba de roda, além de música popular brasileira de qualidade.

O ex-presidente norte-americano Bill Clinton dedicou um capítulo a você na biografia dele. Que tal?

(risos) Pois é, eu fiquei surpresa. Eu estava em casa e uma amiga minha ligou do Rio de Janeiro – ela tinha acabado de comprar o livro em inglês - e me disse: “Virgínia, você está no livro do Bill Clinton”. Ela deu um grito que levei um susto e depois leu a página toda.

De manicure a uma diva...

É... Algumas pessoas me chama de diva. Não sou diva, sou uma cantora de musica popular brasileira e só.

Cantora não, intérprete, grande!

Ah... obrigada.


Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 05/11/2008 às 18:00

“Ah, minha Eurídice, meu verso, meu silêncio, minha música! / Nunca fujas de mim! Sem ti sou nada/ Sou coisa sem razão, jogada, sou pedra rolada”

(Fragmento de Monólogo de Orfeu, Vinicius de Moraes)


Reprodução encarte do CD

Reprodução encarte do CD / TRILHA SONORA  DO FILME  “ORFEU DO CARNAVAL” OU “BLACK ORPHEUS” (1959), DO FRANCÊS MARCEL CAMUS, É REEDITADA NA ÍNTEGRA EM VERSÃO DIGITALIZADA: MITO GREGO TRANSPOSTO AO MORRO CARIOCA NA VISÃO DE VINICIUS DE MORAESTRILHA SONORA DO FILME “ORFEU DO CARNAVAL” OU “BLACK ORPHEUS” (1959), DO FRANCÊS MARCEL CAMUS, É REEDITADA NA ÍNTEGRA EM VERSÃO DIGITALIZADA: MITO GREGO TRANSPOSTO AO MORRO CARIOCA NA VISÃO DE VINICIUS DE MORAES

Dez segundos de melancólicas notas extraídas do violão; uma desvairada batucada toma conta do mais. Na seqüência, uma voz aveludada canta que a felicidade do pobre parece a grande ilusão do carnaval. Corte.

Nova batucada, apito de bonde, percussão reproduzir o barulho da máquina nos trilhos. Genial. Uma bela mulata passa em meio ao furdunço, esbarra em alguém, pede desculpas, ouve galanteios e gente chamando a atenção aos seus produtos: cebolas, colares. O frevo metaliza a multidão.

A inserção de falas está nas primeiras faixas da trilha sonora de “Black Orpheus” (Universal Music) relançada quase 50 anos depois de ter arrebatado multidões mundo afora.

O filme, dirigido pelo francês Marcel Camus,é baseado na peça “Orfeu da Conceição”, em que Vinicius de Moraes faz a transposição do mito grego de Orfeu e sua amada Eurídice aos morros cariocas. No Brasil recebeu o título “Orfeu do carnaval”.

O disco marca o início da eterna parceria de Vinicius, então na carreira diplomática, com o jovem pianista da noite carioca Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o Tom.

A trilha sonora de “Black Orpheus” chega ao público brasileiro na íntegra e em versão digitalizada. Ou seja, temas incluídos no filme foram editados, alguns em junho de 2008.


Reprodução encarte do CD

Reprodução encarte do CD / VINICIUS E TOM JOBIM: DISCO INAUGURA A PARCERIA DOS GENIAIS AUTORES QUE APRESENTARAM UMA NOVA PROPOSTA ESTÉTICO-MUSICAL AO MUNDOVINICIUS E TOM JOBIM: DISCO INAUGURA A PARCERIA DOS GENIAIS AUTORES QUE APRESENTARAM UMA NOVA PROPOSTA ESTÉTICO-MUSICAL AO MUNDO

É o caso de “O nosso amor” (Tom-Vinicius) agora com exatos 14´56 minutos e uma curiosidade: nos créditos constam coro, bateria de escola de samba e, vejam bem, “provavelmente” Raul de Barros no trombone.

O trombonista “provavelmente” também acompanha, na mesma música, o canto de Vanja Orico, subtraído da trilha original do filme. A edição completa traz Luiz Bonfá aparece solando “Manhã de carnaval” (em parceria com Antônio Maria) e “Samba de Orfeu”.

“Pontos de macumba” reaparece com 13 minutos de duração e muitos atabaques e gritos de seguidores, em transe, de religiões afro-brasileiras.

Seria João Gilberto? - No disco há variações de muitos temas. “A felicidade”, defendida com competência por Agostinho Santos, tem ao violão, conforme informação dos créditos, João Gilberto ou Roberto Menescal.

“Poderia ser eu... ou o João”, despista Menescal no encarte consistente assinado por Anais Fléchet, Doutora em História. Na faixa 16 é ele sim. Já na faixa 11, o canto contido de Agostinho dos Santos parece estar sob severo crivo harmônico. Se é João ninguém sabe, ninguém viu e fica um elemento mais a adensar o mito, que foi desartado por Marcel Camus por ser “branco” demais na voz. Ah...

Elizeth Cardoso em “Manhã de carnaval”! Divina!! Estrela máxima da canção do amor maior.Ela, aliás, é a “voz cantada “de Eurídice enquanto Agostinho dos Santos a de Orfeu, interpretados no filme, respectivamente, por Marpessa Dawn e Breno Mello.

A trilha sonora de “Orfeu do carnaval” ou “Black Orpheus” ou “Orpheé Noir” ou ainda “Orfeo negro” – a produção é franco-ítalo-brasileira – foi dirigida por Tom Jobim e gravada no Rio de Janeiro e em São Paulo, entre 1958 e 1959.


Reprodução encarte do CD

Reprodução encarte do CD / AGOSTINHO DOS SANTOS, ELIZETH CARDOSO E O COMPOSITOR LUIZ BONFÁ FAZEM PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS NO PROJETO HISTÓRICO AGOSTINHO DOS SANTOS, ELIZETH CARDOSO E O COMPOSITOR LUIZ BONFÁ FAZEM PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS NO PROJETO HISTÓRICO

Marcel Camus agiu com mão de ferro até, digamos assim, no modo particular de entender música brasileira. Talvez por isso certos batuques das escolas de sambas mais proeminentes da época (Portela, Salgueiro, Mangueira e Unidos da Capela) encontrem conivências de ouvidos estrangeiros.

Tom ficou uma arara com as modificações de melodias e letras impostas pelo diretor e não economizou tintas ao criticá-lo em carta a Vinicius de Moraes, que atuava na embaixada da Colômbia.


Reprodução

Reprodução / GRAVADO NO RIO DE JANEIRO E EM SÃO PAULO, DISCO PODE TER CONTADO COM JOÃO GILBERTO AO VIOLÃO EM DUAS FAIXAS: MISTÉRIO NUNCA DESVENDADOGRAVADO NO RIO DE JANEIRO E EM SÃO PAULO, DISCO PODE TER CONTADO COM JOÃO GILBERTO AO VIOLÃO EM DUAS FAIXAS: MISTÉRIO NUNCA DESVENDADO

Camus, conforme relato da historiadora Anais Fléchet, não hesitou um tiquinho assim ao apelar à “concorrência” e pedir para Luiz Bonfá e Antônio Maria escreverem a canção de Orfeu, “Manhã de carnaval”.

Tudo acabou em clássicos. A trilha sonora de “Black Orpheus” foi o ponto de partida para a expansão da música brasileira no exterior, em especial a Bossa Nova, no início da década de 60. Quem nunca ouviu falar do histórico concerto no Carnegie Hall, em Nova York, em novembro 1962?

Precisa dizer mais nada não, né?

"Ignorância condescendente" - A idéia de reler o mito de Orfeu e Eurídice – o amor incondicional – rondava a cabeça de Vinicius de Moraes desde 1942. Em vez de lira, o músico da Trácia toca violão, mora no morro é condutor de bonde e sambista. Negro, belo, encantador. Eurídice, dentes alvos, mulata mais bela ainda não se avistou.


Reprodução encarte do CD

Reprodução encarte do CD / MARPESSA DAWN E BRENO MELLO QUE NO FILME DE CAMUS INTERPRETAM ORFEU E EURÍDICE: TRAGÉDIA GREGA AMBIENTADA NO RIO DE JANEIRO MARPESSA DAWN E BRENO MELLO QUE NO FILME DE CAMUS INTERPRETAM ORFEU E EURÍDICE: TRAGÉDIA GREGA AMBIENTADA NO RIO DE JANEIRO

Vinicius deu à peça o título “Orfeu da Conceição”, a conselho do amigo e poeta João Cabral de Melo Neto, que ainda o recomendou inscrever o texto no concurso de teatro do IV Centenário de São Paulo. Premiação garantida.

Ainda em função diplomática, desta vez na França, o futuro poetinha – que mandaria a diplomacia aos ares em 1960 - conheceu o produtor Sacha Gordine que vislumbrou a possibilidade de Orfeu ganhar as telas.

Havia, no entanto, obstáculos: o preconceito de parte da elite brasileira e a “ignorância condescendente” do público europeu em relação ao Brasil.

Os dois vieram ao Brasil em busca de empresários bem dispostos. Conseguiram que um amigo de Vinicius patrocinasse... a peça, olha a ironia! No dia 25 de setembro de 1956, “Orfeu da Conceição” estreava no Theatro Municipal do Rio de Janeiro com atores do Teatro Experimental do Negro, criado por Abdias do Nascimento e dirigido por Leo Jusi.


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Reprodução / ELENCO DO TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO QUE ENCENOU “ORFEU DA CONCEIÇÃO”, EM SETEMBRO DE 1956: PEÇA SERVIU DE BASE PARA O ROTEIRO DE “ORFEU NEGRO”<br />
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ELENCO DO TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO QUE ENCENOU “ORFEU DA CONCEIÇÃO”, EM SETEMBRO DE 1956: PEÇA SERVIU DE BASE PARA O ROTEIRO DE “ORFEU NEGRO”


Cenário concebido, olha só, por Oscar Niemeyer e os cartazes pela artista plástica Djanira. Em duas semanas, Tom e Vinicius criaram as músicas do espetáculo que, após dez dias em cartaz, foi remontado no Teatro da República com cenografia reduzida.

Enquanto isso, na França, o produtor Sacha Godine conseguiu a adesão do cineasta Marcel Camus. O filme começou a ser rodado em 1958, no Brasil, e a estréia oficial aconteceu, no ano seguinte, no Festival de Cannes onde conseguiu a Palma de Ouro. Em 1960, sob o nome de “Black Orpheus”, ganhou o Oscar de Melhor Estrangeiro.

Mesmo com tais prêmios, não faltaram críticas ao “exotismo carregado” de Camus, conforme narra a historiadora Anais Fléchet, como fizeram Jean-Luc Godard e Glauber Rocha.

No entanto, Orfeu sem Eurídice... A história conta e reconta cada vez melhor!

Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 31/10/2008 às 14:19


GUTO COSTA/DIVULGAÇÃO

GUTO COSTA/DIVULGAÇÃO / A INTÉRPRETE BAIANA MARGARETH MENEZES LANÇA PROJETO COM SONORIDADE POP BEM RESOLVIDA: “NESSE DISCO EU RESGATO MEU LADO CANTRIZ”A INTÉRPRETE BAIANA MARGARETH MENEZES LANÇA PROJETO COM SONORIDADE POP BEM RESOLVIDA: “NESSE DISCO EU RESGATO MEU LADO CANTRIZ”

O que foi aquilo?! Guardo até hoje na memória. Salvador, 2000, PercPan, Panorama Percussivo Mundial, Teatro Castro Alves. Público e jornalistas de várias partes do Brasil e do exterior aplaudiram de pé aquela mulher que adensou o palco.

“Faraó - divindade do Egito (Luciano Ribeiro) veio de uma voz potente e performance cênica arrebatadora; o microfone a chicotear espaços. Longas palmas, assovios. Gilberto Gil, diretor artístico do festival, disse emocionado: “Margô...”

Margô, Marga, Margareth Menezes é avassaladora em cena. Está com disco novo, o décimo em 20 anos de carreira. Chama-se “Naturalmente” (MZA Music), pegada pop a buscar ouvidos mesmo com alguns arranjos entremeados de clichês sonoros. A produção e direção artística são de Marco Mazzola, que explorou bem a versatilidade da intérprete baiana.

Inflexão controlada, voz tônica, Margareth realça letras e músicas em voltagem bem mais resolvida que “Pra Você” (2005), onde o flerte com o pop deu quase em nada. “Naturalmente” é outra conversa.

Onze Faixas, três inéditas: “Gente” (Arnaldo Atunes-Marisa Monte - Pepeu Gomes, esse último toca guitarra), a radiofônica “Febre” (Zeca Baleiro) e “Lua no mar” (dela e Robson Costa), sambinha cheinho de bossa, assim, assim, sabe?


GUTO COSTA/DIVULGAÇÃO

GUTO COSTA/DIVULGAÇÃO / COM DIREÇÃO DE MAZZOLA, MARGARETH PROMOVE “SINCRETISMO” MUSICAL: ARTISTA DE VÁRIAS FACETAS E POTENTE VOZCOM DIREÇÃO DE MAZZOLA, MARGARETH PROMOVE “SINCRETISMO” MUSICAL: ARTISTA DE VÁRIAS FACETAS E POTENTE VOZ

Regravações pertinentes: “Os cegos do castelo” (Nando Reis), a “Por que você não vem morar comigo?” (Chico César) e “Matança” (Jatobá), resgate precioso do antológico disco de Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai. Arrojo vocal, de 1984. A força da natureza aí se encontra.

Gil e “Margô” abrem o disco com “Mulher de coronel” (dele, também participante da faixa) numa levada deliciosa. Desalinhos: “Abuso de poder” (Marquinho PQD- Carlito Cavalcante) e bocejante “Um caso a mais” (do português Luis Represas, em dueto). “Foi Deus quem fez você” (Luiz Ramalho) também está: sem maiores comprometimentos.

No todo, “Naturalmente” é um grande acerto de Margareth Menezes. Que precisa ser diferenciada das rainhas e musas da axé-music pela nobreza do canto e verdades nas incursões quando se distancia do afro pop brasileiro, onde finca sua história. Uma intérprete arrojada caminha sobre tetos sem quebrar telhas. Ela!

Confira alguns trechos da entrevista que Margareth Menezes concedeu ao blog Sintonia Musical

O disco está bem pop, né?

É... Ficou meio MPB pop. É um projeto especial, uma das propostas da minha performance artística. Comecei minha trajetória fazendo teatro onde eu cantava. Cantei na noite durante muito tempo também. Depois disso, comecei a trabalhar nos trios elétricos de Salvador. Em 20 anos de carreira já fiz muita coisa. Eu tenho esse sincretismo no exercício da minha profissão.

Gostei do termo “sincretismo”

Não é? Esse disco resgatou um pouco o meu lado “cantriz”

Sua voz é bonita e forte, mas no disco não está tão “pra fora”. É impressão minha?

Como intérprete que sou, busquei um outro tipo de inflexão para cantar esse repertório, é isso.

“Naturalmente” não é para se levar para cima de um trio elétrico, certo?

Sei disso, mas a proposta não é essa não. É um projeto especial como disse. É comum no Brasil, por exemplo, um cantor de samba faz um tipo romântico, cantor de rock fazer um disco de Bossa Nova, como a Fernanda Takai cantando Nara Leão. Ora, cantores internacionais fazem muito isso... No meu caso é uma questão de ampliação de repertório e discografia.


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Reprodução / - “NATURALMENTE “ TEM TRÊS FAIXAS INÉDITAS, RELEITURAS MARCANTES E RESGATES PRECIOSOS COMO “MATANÇA”- “NATURALMENTE “ TEM TRÊS FAIXAS INÉDITAS, RELEITURAS MARCANTES E RESGATES PRECIOSOS COMO “MATANÇA”

Não leve como crítica é apenas um apontamento!

Imagina! Eu até entendo esse questionamento, mas não estou me desligando da base do meu trabalho que é o afro pop brasileiro. Tenho esse ecletismo, como por exemplo, um de voz e violão, que as pessoas não conhecem e que já levei para os Estados Unidos e Europa. Tenho essa mobilidade dentro da minha performance artística. Como agente atuante da música tenho várias facetas que muitas pessoas não tiveram oportunidade de conhecer.

Como vai a carreira no exterior?

Para mim o exterior é muito legal porque foi onde eu tive uma abertura boa. Quando sai do Brasil eu abri mais de 70 shows para o David Byrne (ex-líder do Talking Heads), isso em 1991...Nos últimos quatro anos decidi investir mais no Brasil e, por isso, venho trabalhando mais aqui do que lá fora.

Qual sua religiosidade? Alguma relação com o candomblé?

Sou espírita, acredito na reencarnação. Acredito em Jesus que é uma luz divina que veio à terra para nos mostrar uma oportunidade melhor de viver. Quanto ao candomblé tenho um grande respeito porque é uma religião milenar e que se identifica com a natureza. Aqui na Bahia é muito importante o trabalho que os grandes terreiros fazem na socialização do povo afro-descendente. É maravilhoso.

Estive algumas vezes em Salvador e constatei algo interessante: Ivete e Daniela são muito populares, você além de popular recebe uma reverência muito distinta por parte das pessoas. Prestígio, quero dizer.


GUTO COSTA/DIVULGAÇÃO

GUTO COSTA/DIVULGAÇÃO / “NÃO ESTOU ME DESLIGANDO DA BASE DO TRABALHO QUE É O AFRO POP BRASILEIRO; TENHO MOBILIDADE DENTRO DA MINHA PERFORMANCE ARTÍSTICA”, AVISA MARGARETH“NÃO ESTOU ME DESLIGANDO DA BASE DO TRABALHO QUE É O AFRO POP BRASILEIRO; TENHO MOBILIDADE DENTRO DA MINHA PERFORMANCE ARTÍSTICA”, AVISA MARGARETH

Eu fico muito feliz com esse carinho do povo de Salvador. Quando saio na rua, as pessoas chegam de forma carinhosa mesmo. Na minha música eu procuro preservar, enfatizar o que temos na Bahia. Eu gosto muito daqui, somos um povo amável.

O que é que a baiana Margareth tem de especial?
(risos) Rapaz... Acho que a baianidade nagô. Sempre digo que minha casa é a Bahia, mas o mundo é meu lugar. E por onde vou deixo bem claro que sou baiana.

Mais informações sobre a artista podem ser obtidas no site www.margarethmenezes.com.br


Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 31/10/2008 às 14:18

ELES

Silvia Zanella, muitíssimo obrigado (sempre e tanto) pela confiança e carinho.
Luiz Cláudio Oliveira, pelo treinamento e consideração
Nádia Schiavinatto, pelo acolhimento

UNS

Zeca Corrêa Leite que 20 anos atrás me ensinou a ser um pouco curitibano. Kátia Michelle, minha amiga de anos e confidências. Dani Brito pela indicação do caminho. Liliana Onozato por ter ficado do meu lado quando me colocaram no onde(?). Fábio Schaffer porque foi o primeiro a fazer comentário no blog e dele gosto desde o quando. Marta Santos porque é uma santa, vai para o céu direto! Marisa Olavo que levou voz e longos cabelos para Londres e manda notícias. Rogério Mariano, pelo amor de irmão sempre presente. Célia Musilli por ser tão imensa e amiga e boa blogueira. Rosinha Passos que me deu flor em cena e disse para prosseguir. Karlinha Matida pela gargalhada deliciosa e aplausos a mim remetidos... saudades da terrinha, novidadeiras, Janávila!! Obá, que entrou no blog e escreveu em yorubá, sua bênção. Osmar, que me colocou na roda, na gira. Carmen Kley, que falou:” vamos fazer fotos!” Santa Lovelee Rita de Sampa que concedeu a primeira entrevista. Cláudio de Sampa por ter entrado em contato e remetido afeição e discos. Alzimar Ramalho, fia!!! Wliliam porque eu amo e Alex por extensão. Alegre Elvira, por ter se aproximado.Solange Bronzatti, reencontrei você, salve dona Maria! Rosana Blanco Ferreira pela força de longe.

MUITOS

Para quem acessou e acessa o blog: “A vida sem música é uma tarefa cansativa, um exílio” (Nietzsche)

ACIMA

Senhora Maior Aparecida, me defenda com seu manto azul sempre. Água doce, Ora yê, yê, ori da qualidade bravia. Filho do verde e da mata, guias azul do céu de Ketu. Okê!


REVERBERAÇÃO

Casa dos cantos, Celinha, Marisa, a sonoplasta que lê meus olhos. Os dela, verdes! Eu e meu violão. Melhor do que o silêncio só João.

PROFUSÃO

*Professora Doralice, flores! Aos montes e pelos motes.

* Renato Forin Jr, generosidades! Por tudo, meu amigo! Branco, dourado, cores e inteligência próprias. A rosa-dos -ventos, mestre!

Fartas músicas!

Amém para todos nós!




Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 27/10/2008 às 20:55


Divulgação/Universal Music/ autoria não informada

Divulgação/Universal Music/ autoria não informada / PROJETO COMPILA CANÇÕES GRAVADAS POR NARA LEÃO SOB VIBRAÇÃO DO TROPICALISMO, QUE SE ESTENDEU A ALGUNS DISCOS SOLOS: INTÉRPRETE COM RARA INTELIGÊNCIA MUSICAL<br />
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PROJETO COMPILA CANÇÕES GRAVADAS POR NARA LEÃO SOB VIBRAÇÃO DO TROPICALISMO, QUE SE ESTENDEU A ALGUNS DISCOS SOLOS: INTÉRPRETE COM RARA INTELIGÊNCIA MUSICAL


Foi assim: maravilhada com “Lindonéia – a Gioconda do subúrbio”, Nara Leão (1942 -1989) pediu a Caetano Veloso e Gilberto Gil uma canção remetendo às sensações que a tela do artista Rubens Gerchman lhe proporcionaram. Dito e feita, “Lindóneia” foi parar em “Panis et circensis”, disco-manifesto-coletivo do Tropicalismo, movimento que Nara Leão endossou.

Na capa do emblemático álbum, de 1968, cuja capa foi criada – vejam só – por Gerchman (1942 -2008), Caetano Veloso aparece segurando um porta-retrato com foto em preto-e-branco de Nara. “Me picharam na época, mas não me importei porque se acho bom, se vejo que é renovador, não tenho preconceito”, rebateu ela.

A declaração está no encarte de “Nara Tropicália” (Universal Music), álbum duplo, embalagem digipack, que reúne canções registradas entre 1966 e 1972 por uma das mais versáteis intérpretes da música brasileira.

A seleção do repertório e texto ficou a cargo do pesquisador Thiago Marques Luiz, que incluiu a inédita “Capricho”, música de Francis Hime sobre poema de Castro Alves, apartada da trilha sonora de “O Casarão”, novela de 1976. Total, 28 músicas.

“Nesta compilação, traçamos um panorama do que representou Nara Leão para o movimento (Tropicalismo) e os rumos que essa passagem deu ao seu trabalho”, escreveu o pesquisador. “Nara Tropicália” contém algumas canções essenciais do movimento como “Mamãe coragem” e “Deus vos salve esta casa santa” (ambas de Caetano- Torquato Neto), “Ladainha” (Gil- Capinan) e “Vento de maio” (Gil – Torquato Neto).

“A Tropicália era um punhado de coisas, todas elas importantes para aquele momento. E a Nara representava uma credibilidade, um certo prestígio, afinal, ela já era muito mais nome do que todos nós naquela altura”, comentou Gilberto Gil. “E não era só isso: a Nara era um outro lado, era a doçura que fazia contraste com o que nós talvez poderíamos chamar de agressividade musical dos tropicalistas”, complementou. Bacana, isso, né?

Com meia dúzia de discos gravados e gozando de boa popularidade depois da banda passar passar cantando coisas de amor, Nara conheceu os mentores da Tropicália, durante uma viagem a Salvador. Isso no começo da década de 60. E se entusiasmou com a efervescência da proposta musical de Caetano, Gil, Tom Zé, Gal Costa e, por tabela, Maria Bethânia, que a substituiu, em 1965, no espetáculo “Opinião”.


Inquietude estética - Como simpatizante e não militante – ela fazia questão de deixar bem claro-, Nara soube absorver a essência do movimento e fez o próprio caldeirão sonoro. Alguns de seus discos foram produzidos pelo maestro Rogério Duprat.

“Nara Tropicália” mostra a diversidade da intérprete que subiu no morro para buscar Cartola e Zé Ketti, consagrou João do Vale e releu Carmem Miranda (versão deliciosa e maliciosa de “Me dá... me dá”) Aracy de Almeida (“Fez bobagem” e “Camisa Amarela”).

A inquietude estética de Nara paira sobre Dorival Caymmi, Sidney Miller, Jayme Ovalle e até duas versões próprias: “La Colombe” (do francês Jacques Brel) e "Parabién de la paloma” (do chileno Rolando Alarcón), essa com contornos políticos.

Joelhos juntinhos, olhos de indisfarçável timidez. O violão era um escudo: ao mesmo tempo em que se defendia, atacava as mazelas políticas e sociais de uma época em que códigos eram escritos no ar. Aliás, os cavalos que detinham o poder relinchavam quando Nara deixava a doçura de lado para entoar canções de protesto. Brava!

Todo mundo sabe que Nara Leão foi musa da Bossa Nova, que muitas vezes viu o barquinho indo, a tardinha vindo e coisa e tal. É peça fundamental do mais generoso movimento musical brasileiro. No entanto, quem ainda acha que ela se bastou nessa praia, pode refazer os conceitos através de "Nara Tropicália”. É um bom começo.

DISCO 1

1.Lindonéia (Caetano Veloso – Gilberto Gil)
2. Mamãe Coragem (Torquato Neto – Caetano Veloso)
3. Pisa na Fulô (Ernesto Pires – Silvério J. - João do Vale)
4. Parabéns de la Paloma (Rolando Alarcón . Versão: Nara Leão)
5. Quem é? (Custódio Mesquita – Joracy Camargo)
6. Me Dá... Me Dá (Cícero Nunes- Portelo Juno)
7. Odeon (Ernesto Nazaré-Vinicius de Moraes – Ubaldo)
8. Infelizmente (Ary Pavão – Lamartine Babo)
9. O Circo (Sidney Miller)
10. Deus Vos Salve Esta Casa Santa (Caetano Veloso –Torquato Neto)
11. Minha História (ao vivo. João do Vale –Raymundo Evangelista)
12. Cabra Macho (Guto –Mariozinho Rocha)
13. Azulão (Jayme Ovalle – Manuel Bandeira)
14. Vento de Maio (Gilberto Gil – Torquato Neto)


Reprodução

Reprodução / “NARA TROPICÁLIA” CONTÉM 28 CANÇÕES, UMA DELAS “CAPRICHO, MÚSICA DE FRANCIS HIME SOBRE POEMA DE CASTRO ALVES: VERSATILIDADE A TODA PROVA<br />
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“NARA TROPICÁLIA” CONTÉM 28 CANÇÕES, UMA DELAS “CAPRICHO, MÚSICA DE FRANCIS HIME SOBRE POEMA DE CASTRO ALVES: VERSATILIDADE A TODA PROVA


DISCO 2

1. Atrás do Trio Elétrico (Caetano Veloso)
2. Lancha Nova (João de Barro –Antonio Almeida)
3. O Tic-Tac do Meu Coração (Walfrido Pereira Silva – Alcyr Pires Vermelho)
4. Donzela, por Piedade Não Perturbes (J.S. Arvelos)
5. Mulher (Custódio Mesquita – Sady Cabral)
6. Ladainha (Gilberto Gil – Capinam)
7. Morena do Mar (Dorival Caymmi)
8. Fez Bobagem (Assis Valente)
9. Apanhei-te Cavaquinho (Ernesto Nazareth – Ubaldo)
10. La Colombe (Jacques Brel. Versão: Nara Leão)
11. Ta-Hi (Pra Você Gostar de Mim. Joubert de Carvalho)
12. Camisa Amarela (Ary Barroso)
13. Mais uma Estrela (Bonfiglio de Oliveira –Herivelto Martins)
14. Capricho (Francis Hime sobre poema de Castro Alves)

Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 23/10/2008 às 15:15


RENATO FORIN JR/ARQUIVO PESSOAL

RENATO FORIN JR/ARQUIVO PESSOAL / REGISTRO DA BEM-SUCEDIDA TURNÊ DA CUBANA OMARA PORTUONDO E DA BRASILEIRA MARIA BETHÂNIA SAI EM DVD: HISTÓRICO ENCONTRO DE DOIS MITOS DA CANÇÃO LATINA MARCADO POR REPERTÓRIO IMPECÁVEL<br />
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REGISTRO DA BEM-SUCEDIDA TURNÊ DA CUBANA OMARA PORTUONDO E DA BRASILEIRA MARIA BETHÂNIA SAI EM DVD: HISTÓRICO ENCONTRO DE DOIS MITOS DA CANÇÃO LATINA MARCADO POR REPERTÓRIO IMPECÁVEL


Espetáculo da imaginação. O que pedem em silêncio? O que se passa na cabeça das duas mulheres segundos antes do roçar de vozes e público? Percussão!

Omara agita os braços e murmura algo: pode ser uma oração, um cântico, um ponto ou apenas o repassar rápido da primeira música. Bethânia faz o sinal da cruz e verifica o plug do microfone com fio. Sempre com fio.

O tom do maestro. Prontas para cantar. Abrem-se as cortinas. Lado a lado, a cubana Omara Portuondo e a brasileira Maria Bethânia são acolhidas por uma platéia calorosa e cantam em português e em espanhol de “O cio da terra”.

A primeira das 32 canções – duas instrumentais – do espetáculo que os dois mitos da música latina apresentaram em diversas capitais brasileiras e também Argentina e Chile, de março a junho deste ano.


RENATO FORIN JR/ ARQUIVO PESSOAL

RENATO FORIN JR/ ARQUIVO PESSOAL / OMARA EM CENA: VOZ POTENTE HOMENAGEIA O LENDÁRIO BUENA VISTA SOCIAL CLUB E ESTABELECE RÁPIDA EMPATIA COM O PÚBLICO<br />
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OMARA EM CENA: VOZ POTENTE HOMENAGEIA O LENDÁRIO BUENA VISTA SOCIAL CLUB E ESTABELECE RÁPIDA EMPATIA COM O PÚBLICO


Belíssimo, colorido: araras, flores, chitas e muito brilho no cenário interessantemente kitsch concebido por Gringo Cardia. Show de teatro com momentos intimistas e solares. Para quem não Omara e Bethânia, um DVD gravado nos dias 4 e 5 de abril, Palácio das Artes, Belo Horizonte, Minas.

Sai pela Biscoito Fino. Sem extras, making of ou curiosidades dos bastidores . A não ser uma firulinha no correr dos créditos com diálogo espontâneo e fragmentado e até engraçado. A palavra-chave: Marambaia.

Trechinho de “Só vendo que beleza (Marambaia)”. No correr do espetáculo, inteira a canção está sem a levadinha rap de Omara. As duas: “Gente humilde”... Omara oscila no tom. Passa batido como se modulação fosse. Deve ser, ela é grande.


RENATO FORIN JR/ARQUIVO PESSOAL

RENATO FORIN JR/ARQUIVO PESSOAL / DETALHE DO CENÁRIO ASSINADO POR GRINGO CÁRDIA: FLORES, ARARAS, CHITAS E EFEITOS TÃO SIMPLES QUANTO EFICAZESDETALHE DO CENÁRIO ASSINADO POR GRINGO CÁRDIA: FLORES, ARARAS, CHITAS E EFEITOS TÃO SIMPLES QUANTO EFICAZES

As vozes. Os metais e graves de Bethânia. A extensão, segundas e terças de Omara, que habilmente perpassa divisões e compassos. Os vibratos, um show a parte.

O suor dos músicos: João Carlos Coutinho (piano) e Jorge Helder (baixo) mais os percursionistas Cláudio Brito (Brasil) e Andréas Coayo (Cuba). À frente de todos, os maestros Jaime Alem e Swami Jr., aos violões. Precisou de mais ninguém não, viu?

Bethânia contida. O magnetismo e elegância cênica e memória tantas são os grandes trunfos. Mãos e pés e leve gingar enfaticamente registrados. Como tirar os olhos dessa mulher?

Omara Portuondo, 78 anos, quase não arreda os pés de perto do pedestal a fazer-lhe vistas às músicas. Performática em “Lacho/ Drume negrita”. Toda prosa fica quando vê alguém na platéia segurando a bandeira de Cuba.

Solo, Maria Bethânia hasteia suas bandeiras musicais com releituras de sucessos próprios (“Negue”, em versão mais contida) ou de compositores gratos a ela: Chico Buarque (“Partido alto” ficou bem bacana), Dolores Duran (na quase desconhecida “Arrependimento), Caetano Veloso (“ O ciúme) ou na rasgada “Escandalosa”.

A inédita “Doce” (Roque Ferreira), louvação a Caymmi, agora um orixá (“Quem cantou a Bahia foi Oxum/ foi Oxum quem encantou/ mas quem embalou a Bahia e adoçou/ foi Caymmi, ioiô”) vem junto com “A Bahia te espera” registrada por ela em 1976 e extraída do repertório de Dalva de Oliveira.


Reprodução

Reprodução / DVD CONTÉM 32 CANÇÕES E FOI REGISTRADO EM ABRIL NO PALÁCIO DAS ARTES, EM BELO HORIZONTE (MG): BOAS ATUAÇÕES SOLOS E CONJUNTAS<br />
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DVD CONTÉM 32 CANÇÕES E FOI REGISTRADO EM ABRIL NO PALÁCIO DAS ARTES, EM BELO HORIZONTE (MG): BOAS ATUAÇÕES SOLOS E CONJUNTAS



Só em cena, Omara Portuondo é direta: “Recordemos ahora Buena Vista Social Club”: “Viente años”, “Mil Congojas”, “Dos Gardenias” e... Jesus amado, que linda “Nana para um suspiro (semillita)”. Chorei no Teatro Guaíra – quando a turnê passou por Curitiba-, comovo-me em casa.

Omara Portuondo e Maria Bethânia, uma áfrica vibrando na carne e nos primórdios de Cuba e Brasil. A sublimidade, o entre. O DVD explica o porquê.

O repertório do DVD e os respectivos autores podem ser conhecidos no seguinte endereço: http://www.biscoitofino.com.br/bf/cat_produto_cada.php?id=405



RENATO FORIN JR/ARQUIVO PESSOAL

RENATO FORIN JR/ARQUIVO PESSOAL / SOBERANA INTÉRPRETE DOS PALCOS, O CANTO DE MARIA BETHÂNIA ATRAVESSA GERAÇÕES HÁ QUASE 45 ANOS: ESTILO ÚNICO DE UNIR MÚSICA, POESIA E TEATROSOBERANA INTÉRPRETE DOS PALCOS, O CANTO DE MARIA BETHÂNIA ATRAVESSA GERAÇÕES HÁ QUASE 45 ANOS: ESTILO ÚNICO DE UNIR MÚSICA, POESIA E TEATRO

MARIA DOS ATOS - Desde que foi para a gravadora Biscoito Fino, em 2002, Maria Bethânia já lançou sete discos, quatro DVDs (alguns produtos em parceria com o próprio selo, Quitanda), além de colocar em catálogo projetos audiovisuais que lhe dizem respeito.

Produtora, pôs no mercado um disco de Mart´nalia e está às voltas com o CD do cantor e compositor baiano Jota Velloso, seu sobrinho. Para 2009.

Em novembro, a intérprete baiana deve entrar em estúdio para novo trabalho com canções inéditas para, provavelmente, celebrar 45 anos de carreira, o mesmo número que assinala sua discografia. Trajetória longeva e bem-sucedida porque contém verdade essa Maria.

Em setembro, Bethânia foi homenageada no 28º Prêmio Shell de Música, na condição de primeira intérprete a ser agraciada com a honraria. Na quarta-feira (dia 22 de outubro), outra reverência: cedeu o nome para o palco da tradicional gafieira Estudantina, no Rio de Janeiro.

A senhora de 62 anos, cujo canto atravessa gerações, vai longe. As comunidades do Orkut ("Seita da Iluminada", "Maria Bethania Reverso, dois exemplos), sinais de templos. A rosa, Lufã, desabroche a rosa!

Bethânia há de fazer muitos ventos nos palcos, sob domínio de Iansã e doces olhos de Oxum, a qualidade das ayabás quando absolutas. A soberania além dos mistérios originais. Entende?

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Sugestões de comentários:

- Você gosta de Maria Bethânia? Por quê?
- Quais músicas ou discos de Bethânia marcaram sua vida?

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Mais informações sobre Maria Bethânia no site www.mariabethania.com.br


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Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 19/10/2008 às 15:54


Reprodução

Reprodução / CLEMENTINA DE JESUS, RESPONSÁVEL PELA AFIRMAÇÃO DA SONORIDADE AFRO-BRASILEIRA, NÃO CONSTA NA LISTA DOS 100 MAIORES ARTISTAS BRASILEIROS DIVULGADA PELA REVISTA ROLLING STONE: ESQUECIMENTO OU DESMERECIMENTO DA COMISSÃO JULGADORA?CLEMENTINA DE JESUS, RESPONSÁVEL PELA AFIRMAÇÃO DA SONORIDADE AFRO-BRASILEIRA, NÃO CONSTA NA LISTA DOS 100 MAIORES ARTISTAS BRASILEIROS DIVULGADA PELA REVISTA ROLLING STONE: ESQUECIMENTO OU DESMERECIMENTO DA COMISSÃO JULGADORA?

Ah, as famosas listinhas... No caso da edição brasileira da revista Rolling Stone, uma listona dessa idade com os 100 maiores artistas da Música Brasileira e breve apresentação dos escolhidos por uma comissão de 70 jornalistas dos quatro costados.

Oito páginas de material. O destaque da capa é Gilberto Gil em delicioso ensaio sobre a fantástica fábrica musical ex-super-homem da Cultura agora de volta ao habitat natural: a música.

Tá, a lista da Rolling Stone. E o primeiro lugar vai para.... Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. O segundo posto é ocupado pelo genial João Gilberto. Pela lógica, o terceiro lugar pertenceria a Vinicius de Moraes? Não! O poetinha – que junto a Tom e João formam a santíssima trindade da Bossa Nova - aparece em 18ª colocação e o posto fica com Chico Buarque de Hollanda. E xeque-mate!

Na velô da dicção tchu-tchu de Carmem Miranda – na 35ª posição do ranking – ele, Caetano Emanuel, o Veloso, que passeia por todos os movimentos e não quebra telhas e nem louças está em quarta colocação. Gilberto, co-mentor da Tropicália – aparece na décima.

Robertão, que cafunga e beija rosas e as arremessas na platéia, comparece em sexto lugar, precedido por Jorge Ben Jor e sucedido por Noel Rosa, seguido por Cartola – esse sabe que o que fazer com as rosas – e Tim Maia que está no céu. De boas intenções, alguns lugares estão cheios assim como o texto de apresentação tão ginasial. Um primor!

A listona contempla artistas importantes, de fato. Na seleção da Rolling Stones há espaço para, vejam bem, Odair José e Dj Marlboro (o centésimo). Uia! As justificativas: o primeiro, através do cancioneiro brega, tornou-se cult; o segundo por dar forma, coerência e visibilidade ao funk carioca. Então, tá!

Se for por aí, Chitãozinho e Xoxoró deveriam estar na lista por serem os precursores da fusão dos universos caipira, sertanejo amexicanizado e pop romântico meloso cheio de trinados. Bem como Luiz Caldas, o arquiteto da axé-music, representada na lista por Daniela Mercury. Né?

A revista não informou o critério de escolha dos músicos. E ponto final. Ah, pára com isso! A metodologia é importante, sim senhor, por mais que a lista resulte em pequenos equívocos.

Pequenos,vírgula, dois pontos: cadê Elomar, Francis Hime, Donga, Gonzaguinha, Luiz Tatit, José Miguel Wisnik e Edson Cordeiro, contratenor que embola pop com canto operístico? Hum...

CADÊ A MULHERADA, HEIN? - Somos o país das cantoras, certo? Vai falar que não? Na lista dos 100 maiores, apenas 16 intérpretes femininas foram citadas. Quem abre alas é Elis Regina (14º lugar) e, na seqüência, Rita Lee. Maria Bethânia dá prosseguimento pouco mais adiante.

Marisa Monte foi a 43ª selecionada e ganhou texto afirmando ser ela a formadora de uma geração inteira de cantoras. Interpretando isso ao pé da letra, as demais cantoras não passam de papéis carbonos.

Não é por aí! Trabalhos distintos fazem Adriana Calcanhotto, Ana Carolina, Maria Rita, Bebel Gilberto, Céu e Mônica Salmaso, algumas das excluídas. Cássia Eller foi incluída. Nora Ney não. Marina Lima sim. Ro Ro, não.

Nara Leão, Clara Nunes, Elizeth Cardoso, Maysa, Dolores Duran e Aracy de Almeida estão entre as veteranas lembradas. Os julgadores padecem de memória. Onde estão Clementina de Jesus (voz carregada de corimás, jongos, lundus, pontos religiosos e samba de gente da antiga), Dalva de Oliveira?

O quer fizeram com Elza Soares, Celly Campelo, as irmãs Linda e Dirce Batista, Leny Andrade (considerada “the first brazilian jazz singer”), Zizi Possi, Ângela Ro Ro e – gente, olha quem ficou de fora - Nana Caymmi? Na lista está Otília Amorim (!), atriz, cantora bailarina, uma das preferidas de Mário de Andrade. Chiquinha Gonzaga, necas de pitibiriba. Alaíde Costa, nem tchuns


A lista da Rolling Stone carece de alguns ajustes e justiças. Se não tiverem questionamentos as listas não passam de mero amontoado de nomes. Certo?


PERGUNTINHA: QUEM EM SUA OPINIÃO SÃO OS MAIORES ARTISTAS DA MÚSICA BRASILEIRA?


.....................

A LISTA

1 - Tom Jobim
2 - João Gilberto
3 - Chico Buarque
4 - Caetano Veloso
5 - Jorge Ben Jor
6 - Roberto Carlos
7 - Noel Rosa
8 - Cartola
9 - Tim Maia
10 - Gilberto Gil
11 - Dorival Caymmi
12 - Pixinguinha
13 - Luiz Gonzaga
14 - Elis Regina
15 - Rita Lee
16 - Chico Science
17 - Paulinho da Viola
18 - Vinicius de Moraes
19 - Raul Seixas
20 - Milton Nascimento
21 - Arnaldo Baptista
22 - Maria Bethânia
23 - Heitor Villa-Lobos
24 - Rogério Duprat
25 - Renato Russo
26 - Baden Powell
27 - Gal Costa
28 - Mano Brown
29 - Ary Barroso
30 - Hermeto Pascoal
31 - Ney Matogrosso
32 - Tom Zé
33 - João Donato
34 - Cazuza
35 - Carmem Miranda
36 - Moacir Santos
37 - Erasmo Carlos
38 - Wilson Simonal
39 - Nelson Cavaquinho
40 - Cássia Eller
41 – Zé Ramalho
42 - Itamar Assumpção
43 - Marisa Monte
44 - Nara Leão
45 - Luiz Melodia
46 - Lulu Santos
47 - Max Cavalera
48 - Adoniran Barbosa
49 - Jackson do Pandeiro


Foto site Biscoito Fino/autoria não informada

Foto site Biscoito Fino/autoria não informada / TOM JOBIM: O MAESTRO BRASILEIRO OCUPA MERECIDAMENTE O PRIMEIRO LUGAR NA LISTA DOS MAIORES, QUE INCLUI NO MESMO BALAIO VILLA-LOBOS E ODAIR JOSÉ<br />
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TOM JOBIM: O MAESTRO BRASILEIRO OCUPA MERECIDAMENTE O PRIMEIRO LUGAR NA LISTA DOS MAIORES, QUE INCLUI NO MESMO BALAIO VILLA-LOBOS E ODAIR JOSÉ


50- Marcos Valle
51 - Clara Nunes
52 - Sergio Mendes
53 - Mario Reis
54 - Braguinha
55 - Elizeth Cardoso
56 - Edu Lobo
57 - Moraes Moreira
58 - Alceu Valença
59 - Martinho da Vila
60 - Nelson Gonçalves
61 - Maysa
62 - Naná Vasconcelos
63 - João Bosco
64 - Lobão
65 - Jacob do Bandolim
66 - Eumir Deodato
67 - Orlando Silva
68 - Lupicínio Rodrigues
69 - Otília Amorim
70 - Egberto Gismonti
71 - Lô Borges
72 - Marcelo Camelo
73 - Marcelo D2
74 - Odair José
75 - Lanny Gordin
76 - Johnny Alf
77 - Dolores Duran
78 - Jards Macalé
79 - Arrigo Barnabé
80 - Djavan
81 - Lenine
82 - Zeca Pagodinho
83 - Herbert Vianna
84 - Rodrigo Amarante
85 - Fred Zero Quatro
86 - Lamartine Babo
87 - Radamés Gnatalli
88 - Francisco Alves
89 - Ismael Silva
90 - Jamelão
91 - Aracy de Almeida
92 - Júlio Barroso
93 - Guilherme Arantes
94 - Marina Lima
95 - Arnaldo Antunes
96 - Daniela Mercury
97 - Pepeu Gomes
98 - Edgard Scandurra
99 - Liminha
100 - DJ Marlboro

Enviado por ANTÔNIO MARIANO JÚNIOR, 15/10/2008 às 19:00


Divulgação/Biscoito Fino

Divulgação/Biscoito Fino / “PIXINGUINHA E SEU TEMPO” CONTÉM GRAVAÇÕES FEITAS COM COMO PIXINGUINHA E SEU CONJUNTO E O LENDÁRIO GRUPO OS OITO BATUTAS: GENIALIDADE COMO COMPOSITOR, INTÉRPRETE E ARRANJADOR<br />
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“PIXINGUINHA E SEU TEMPO” CONTÉM GRAVAÇÕES FEITAS COM COMO PIXINGUINHA E SEU CONJUNTO E O LENDÁRIO GRUPO OS OITO BATUTAS: GENIALIDADE COMO COMPOSITOR, INTÉRPRETE E ARRANJADOR


Sabe os bolachões? É, aqueles de 78 rotações feitos de goma-laca? A sensação de estar ouvindo um desses antigos e pesados discos percorre “Pixinguinha e seu tempo”, CD lançado pela Biscoito Fino com 14 faixas registradas entre 1919 e 1941. Compilação do projeto “Princípios do choro”, lançado em 2002.

O acervo completo – o livro “A Casa Edison e seu tempo” e cinco CDs digitalizados e remasterizados com aval da Petrobras, pertence ao Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro.

Tá, a tecnologia foi até o possível, mas o som “abafado” ainda é o grande atributo de “Pixinguinha e seu tempo”. A genialidade de Alfredo da Rocha Vianna (1897 – 1973) vai desde o intérprete até o arranjador dos “choros orquestrais” como gostava de ser designado.

Pixinguinha sobrepõe-se a todos os rótulos. Foi ele, sobretudo, um experimentador ao mesclar elementos da cultura européia e africana à música brasileira.Um criador, um estilista, isso sim!

É só deixar os ouvidos – sensibilidade também conta, viu? -passearem pela inventividade melódica, encadeamento harmônico, contrastes, modulações e improvisações. Ah, os improvisos! O Brasil precisa se atentar mais à música instrumental!

“Pixinguinha e seu tempo” mostra também o flautista – foi aclamado como o maior da MPB – atuando para a “sofreguidão” dos acompanhantes, no caso músicos da Orquestra Pixinguinha e o do mítico conjunto “Os Oito Batutas”.

Interessante ouvir o violonista – com marcação perseverante - dando o que tinha para acompanhar as sinuosidades e improvisos de Pixinguiinha nos choros “A vida é um buraco” e “O urubu e o gavião”, por exemplo. No encarte não há menção dos instrumentistas, uma pena.


Reprodução

Reprodução / ÁLBUM COMPILA FAIXAS REGISTRADAS ENTRE 1919 E 1941, EXTRAÍDAS DO PROJETO “PRINCÍPIO DO CHORO”: SENSAÇÃO DE ESTAR OUVINDO OS ANTIGOS E PESADOS BOLACHÕESÁLBUM COMPILA FAIXAS REGISTRADAS ENTRE 1919 E 1941, EXTRAÍDAS DO PROJETO “PRINCÍPIO DO CHORO”: SENSAÇÃO DE ESTAR OUVINDO OS ANTIGOS E PESADOS BOLACHÕES

Um dos destaques, aliás, fica por conta de “Mi dêxa serpetina”, de 1923, com os Oito Batutas, com o qual Pixinguinha viajou por todo o Brasil e França. Há também os clássicos: a polca “Lamentos” (1941) que receberia letra de Vinicius de Moraes em 1962; o choro “Carinhoso” (a gravação é de 1941, mas a melodia teria sido composta entre 1916 e 1917, gravada instrumentalmente pelo Pixinguinha e seu conjunto e eternizada,em 1937, por Orlando Silva, com letra de Braguinha).

Há a valsa “Rosa” (1919) num arranjo envolvente. Anos depois, a canção ganharia letra de Otávio de Souza – mecânico e um dos mistérios da música brasileira por não se ter referências de outras letras por ele composta – e gravada em 1937 por Orlando Silva e, em 1991, relida por Marisa Monte quando ainda se preocupava com resgate e não só pops radiofônicos. Pois é...

As três últimas faixas do álbum – “Mexe com tudo” (1940, Levino Ferreira), “Urubatan” (1919, co-parceria com Benedito Lacerda) e “Sururu na cidade” (1934, Zequinha de Abreu) apresentam o mestre à frente da Orquestra Victor Brasileira e Típica Victor. Naipes de metal acentuados e percussão bem explorada, dinâmica evolutiva, tudo ao mesmo tempo. Genial!

“Pixinguinha e seu tempo” é tão histórico quanto agradável de se ouvir. Vem de Pizindin, mas podem chamá-lo de mestre, gênio ou São Pixinguinha, como tão bem “canonizaram” os Hime em “Cada canção”.

Ah, sim, Pizindin era o apelido de Pixinguinha.

Mais informações sobre Pixinguinha podem ser obtidas no site www.pixinguinha.com.br