A internet constitui uma ferramenta poderosa a serviço do desenvolvimento humano, da comunicação, do entretenimento, da informação, além de provocar mudanças radicais na maneira de consumir o tempo e produzir relacionamentos. O reinado da sociedade industrial que disseminou e ainda prioriza maneiras de educar utilizando o giz e o xérox, depara-se com um momento de crise sem precedentes.
O acesso à rede virtual possibilita obter informações que enriquecem, divertem, educam, mas também embrutecem. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman tece comentários preocupantes. O atual estágio da informação eletrônica, sob o impulso decisivo do capitalismo globalizado, esforça-se para converter todos os usuários em consumidores insaciáveis induzindo-os a mergulhar de cabeça nas coisas do mundo aqui e agora. O que realmente importa é correr atrás das coisas e capturá-las em pleno voo, ainda frescas e cheirosas. Se você conseguir entrar e adaptar-se ao jogo, você é in. Se, ao contrário, preferir adiar escolhas, cultivar princípios morais, políticos e religiosos duradouros, você é out.
A liberdade para o consumo requer o triunfo de um arsenal de informações que leva crianças, jovens e adultos a idolatrarem a cultura do lixo. Os produtos culturais são calculados para produzir o máximo impacto imediato, dissolver e remover os produtos culturais de ontem. Com isso, espera-se que os produtos, as pessoas e seus relacionamentos logo caiam no esquecimento. A maior parte do tempo gasto nos sites de relacionamentos sociais é consumida na troca de informações, de gentilezas deletáveis, banalização sexual e o desejo compulsivo de dissecar a vida íntima das celebridades.
Ao mesmo tempo, a internet possibilita acumular conhecimento e ampliar práticas educativas transformadoras. Contribui para promover formas de interação virtual, intercambiar informações educativas e aproximar a troca mútua de conhecimentos. Nessa perspectiva, a rede mundial de computadores auxilia na construção de sujeitos mais livres, democráticos e capazes de cultivar valores e noções de riqueza que vão muito além daquela que o mercado costuma monopolizar para fins de consumo.
Para tanto, é preciso ter em mente que o acesso à rede mundial de computadores seja feito por jovens e adultos senhores de si, capazes de discernir, dentre a multiplicidade de informações que chegam a todo instante, aquelas que formam, informam e deformam. Com isso, evita-se cair nas mãos dos marqueteiros destinados a produzir e capturar mentes politicamente indefesas, ávidas por informações efêmeras e indiferentes a debater assuntos de ordem econômica, política e educacional que afetam os planos de vida da multidão.
Enfim, o advento da sociedade informacional abre caminho no sentido de ampliar e disseminar experiências educacionais mais amplas e ricas, em detrimento daquelas que apenas prometem a chave da liberdade às mentes que idolatram os templos de consumo.
*Cezar Bueno é sociólogo e professor da Unifil e PUCPR – Campus Londrina.
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