Corpo de Bombeiros registrou mais de 40 ocorrências em menos de 20 dias, contra 22 chamados em todo o mês de junho. A maioria das queimadas foi provocada em terrenos baldios
Nenhuma gota de chuva caiu sobre a região norte do Estado em julho. O longo período de estiagem, que já vem desde o mês passado, reduz a umidade do ar, favorecendo as queimadas.
O número de atendimentos do Corpo de Bombeiros a esse tipo de ocorrência dobrou neste mês em relação a junho. No mês passado, foram 22 ocorrências. Em julho, já passam de 40, somente na zona urbana de Londrina.
A maioria das queimadas aconteceu, segundo o Corpo de Bombeiros, em terrenos baldios e foi provocada. Os responsáveis, geralmente, são pessoas que colocam fogo em lixo, ateiam fogo no local para “limpar” a área e, assim, acabam provocando um incêndio.
“Só ontem [quarta-feira], recebemos mais de 100 ligações de pessoas que vêem fogo ou fumaça e, preocupadas, nos chamam”, disse o aspirante Alexandre Creplive Zem, do setor de Operações da corporação. “Não temos estrutura para atender a um número tão grande de chamadas. Pedimos à população para não colocar fogo e que tentem apagar os pequenos focos. Nos deslocamos apenas quando o foco oferece riscos”, afirmou.
Ele lembrou ainda que promover queimadas é infração passível de multa e o valor varia de acordo com a gravidade da situação. A autuação é feita pela Polícia Florestal ou pela Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), que recebem denúncias pelos telefones 0800 643 0304 e 3341-9660, respectivamente.
A média histórica de chuvas para julho, segundo o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), é de 65 milímetros. Mas nestes primeiros 18 dias do mês, o nível pluviométrico registrado pela estação meteorológica do instituto ficou em zero.
Saúde
Na área de saúde, o tempo seco também preocupa. Sem chuva, há maior concentração de poluentes no ar e as doenças respiratórias são o principal motivo que leva as pessoas a buscarem atendimento médico. Crianças e idosos são os que mais sofrem.
Apesar de o Pronto Atendimento Infantil (PAI) e o Pronto Atendimento Médico (PAM) não terem registrado aumento no número de atendimentos desde o início do período de estiagem, a maioria dos pacientes queixa-se de problemas respiratórios.
O pico dos atendimentos no PAI neste ano aconteceu em maio, com 10.500. Em junho, foram 9.300 crianças assistidas e, em julho, não deve passar de 9.000. “Essa queda é normal porque nas férias as crianças adoecem menos. Mas em agosto, a quantidade de atendimentos deve voltar a subir por causa da estiagem e das temperaturas instáveis, quando temos as quatro estações em um único dia”, prevê o diretor clínico do PAI e do PAM, Mohamed El Kadri.
No PAM, o número de atendimentos se manteve, com a média de 280 consultas por dia. “Os dois extremos, as crianças e os idosos, são os que mais sofrem com os efeitos do clima”, ressaltou El Kadri.
Estiagem deve continuar
Se as previsões do Simepar forem confirmadas, a estiagem deve continuar até o final da semana que vem. No momento, há o avanço de uma frente fria vinda da Argentina em direção à região sul do País e que deverá atingir o Paraná entre terça e quarta-feira, mas essa frente fria não deve trazer chuvas ao Estado. “Poderá haver um aumento da nebulosidade e um aumento da umidade do ar, mas a semana deve continuar seca”, explicou o meteorologista Reinaldo Kneib.
Dicas
Confira algumas recomendações do diretor clínico do PAI e do PAM, Mohamed El Kadri, para amenizar os efeitos da estiagem.
Alimentação rica em frutas, legumes e verduras, priorizando as da estação. As vitaminas presentes nestes alimentos são essenciais para fortalecer o organismo.
Ingestão de muito líquido, de preferência água, sucos e chás. Produtos industrializados, como refrigerantes e sucos prontos, devem ser evitados.
Manter os ambientes bem ventilados para evitar os vírus causadores das gripes e resfriados.
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