Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
Produtores buscam orientação sobre manejo da buva em Dia de Campo
“Houve uma seleção natural de plantas resistentes, que agora precisam ser controladas de forma alternativa”, afirma Dionísio Gazziero, especialista em plantas daninhas. Com o tempo, outras plantas daninhas tendem a se tornar imunes à ação do glifosato como a buva, acrescenta.
Américas discutem o problema
As pragas imunes a herbicidas serão tema da 1ª Conferência Pan-Americana sobre Resistência de Plantas Daninhas, de 19 a 21 de janeiro, em Miami (EUA). A discussão, promovida pela Bayer CropScience, promete troca de informações sobre o problema e soluções práticas e sustentáveis. A empresa admite que a resistência pode comprometer o controle do mato com herbicidas a longo prazo. Pesquisadores do Brasil estão sendo convidados a participar dos debates. Além da buva, a preocupação é com espécies como o sorgo. O simples controle não é a única alternativa. Os pesquisadores buscam também sementes transgênicas resistentes a herbicidas que as pragas não suportam.
A nova buva se alastra do Sul para o Norte do Brasil. No Paraná, passou do Oeste para o Norte em dois anos, exigindo qualificação do produtor rural. “O problema é que o controle químico não traz resultado satisfatório. Os agricultores precisam adotar um conjunto de ações integradas para conseguir algum efeito”, orienta Gazziero.
A Embrapa aconselha os produtores que têm áreas infestadas a procurar ajuda de um técnico. Dependendo da concentração de buva, é necessário mudar inclusive as opções de plantio. O cultivo de trigo ao invés de milho no inverno facilita o controle da planta. Quem produz milho safrinha tem menos tempo para administração de herbicidas na hora certa.
Mais do que isso, a buva exige ação conjunta, uma vez que se espalha facilmente com o vento. Uma única planta produz até 200 mil sementes, conforme os especialistas. A semente da buva é 2 mil vezes mais leve que a da soja, o que lhe permite viajar no vento por centenas de quilômetros antes da germinação. “Temos que fazer o controle na entressafra”, apela o pesquisador.
Como disputa luminosidade, água e nutrientes, a buva reduz a produtividade da soja. A Embrapa relata casos de queda de 70% na produção, nas áreas mais afetadas. A Expedição Safra constatou que a preocupação chega a produtores do Centro-Oeste e do Sudeste do país, que ainda se consideram despreparados para enfrentar o problema.
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