Confira abaixo o vencedor do concurso Pessoas que Fazem a Diferença.
O concurso “Pessoas que fazem a diferença”, organizado pela Gazeta do Povo e pelo Instituto RPC, já tem um ganhador. Carlos Eduardo Pijak Júnior, professor de Educação Física, venceu com o projeto “Tênis para todos: uma nova cultura começa na escola”, por meio do qual ensina o esporte para crianças e adolescentes do Bairro Novo, em Curitiba.
A promoção da Gazeta e Instituto RPC tem o objetivo de premiar profissionais de educação que desenvolvem iniciativas com resultados expressivos. Entre todas as histórias inscritas, cinco foram selecionadas por uma comissão julgadora e postadas no site do concurso para votação aberta ao público durante o mês de setembro. A iniciativa de Pijak recebeu quase 12 mil votos.
O projeto do professor começou em 2006 e hoje atende cerca de 3,5 mil crianças de 15 escolas. A idéia de levar a prática do tênis para comunidades da periferia surgiu quando o professor de Educação Física foi trabalhar na Escola Municipal Miracy Rodrigues de Araújo. Ele queria tornar as aulas mais atraentes para as crianças e encontrou raquetes de plástico e bolas de borracha guardadas.
Apesar de não ser um praticante assíduo do esporte, o professor achou que os alunos iriam se interessar, por ser algo novo, e também acreditava que os ganhos no desenvolvimento e aprendizagem seriam grandes. “Queria desmitificar o conceito de que se tratava de um esporte elitista”, diz.
A iniciativa deu tão certo que Carlos e a diretora da escola, Pérola Cristina Ferreira da Silva, decidiram apresentar um projeto ao Núcleo de Educação da Regional Bairro Novo para expandir as aulas de Tênis a todas as escolas da região. Na Miracy também foi criada uma escolinha para crianças e adolescentes do bairro, que funciona no contra-turno escolar. “Temos adolescentes de 13 e 14 anos que ficam o dia todo jogado aqui”, relata a diretora. “Houve uma mudança no bairro, o tênis já faz parte da vida daqui. Dá para imaginar? Adolescentes loucos para ficar na escola?”, brinca Pérola.
Hoje, na hora do intervalo e nos fins de semana, com o Comunidade Escola, o tênis é mais disputado que o futebol. “As crianças já montam as redes e nem pensam em jogar outra coisa”, diz Pijak. “As famílias também se envolveram e vêm aqui jogar. Nas casas, elas também inventam mini-quadras e é diversão para todo mundo.” Os resultados dentro da sala de aula também são satisfatórios. As notas e o comportamento melhoraram. “As crianças aprenderam a gostar da escola. A prática deste esporte também exige esforço e concentração, então dentro das salas de aula também houve melhora”, diz o professor orgulhoso.
O esforço das crianças também trouxe resultados em competições. Elas ganharam campeonatos da Federação Paranaense de Tênis e neste fim de semana foram a Florianópolis para disputar a final de outra competição. “O pessoal já os conhece como 'filhos do Carlos'. Acredito que o esporte ampliou os horizontes deles. Já viajamos para Foz do Iguaçu, Londrina e Blumenau”, afirma Pijak.
Atualmente são 18 crianças e adolescentes participando de competições. “Eu não sou um profissional neste esporte e também tive que estudar e praticar mais. É isso que eu ensino para eles.” Agora, os horizontes do professor também são mais amplos. Ele faz mestrado em políticas públicas e sonha em estender o projeto para todas as escolas de Curitiba. “Quero que sejamos conhecidos como a capital do tênis, com mais quadras públicas e como todas as crianças tendo acesso ao esporte.”